Economia Stiglitz diz que Trump é o maior risco para a economia em 2018

Stiglitz diz que Trump é o maior risco para a economia em 2018

O economista considera que a imprevisibilidade do presidente dos EUA coloca desafios à economia, e diz que a reforma fiscal que promoveu é a pior que viu na vida.
Stiglitz diz que Trump é o maior risco para a economia em 2018
Bloomberg
Rita Faria 12 de dezembro de 2017 às 11:57

O economista Joseph Stiglitz considera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, constitui o maior risco para a economia mundial em 2018, sobretudo devido à imprevisibilidade das suas decisões.

Numa entrevista à Bloomberg TV, no Dubai, o Prémio Nobel da Economia, afirmou que "no geral, Trump é o maior risco", quando questionado sobre os maiores desafios para o próximo ano.

"Não sabemos o que vai fazer em nenhuma das dimensões. Isso inclui política externa, Coreia do Norte. Há um nível de erraticidade que torna as previsões muito difíceis", acrescentou.

Stiglitz criticou ainda a reforma fiscal dos Estados Unidos, aprovada pelo Senado no início da semana passada, por aumentar a desigualdade no país e criar distorções entre sectores.

"É provavelmente a pior lei fiscal que vi na minha vida. Aumenta os impostos para a maioria dos cidadãos, que vão pagar um corte para as grandes empresas e os bilionários, numa altura em que a desigualdade é um grande problema no país. E cria grandes distorções entre os sectores", justificou o economista.

Apesar de acreditar que o presidente dos Estados Unidos deixou de lado a sua política do dólar forte, Stiglitz antecipa que o corte dos impostos vai conduzir a um maior défice orçamental, um maior défice da balança comercial e, consequentemente, a uma subida da divisa norte-americana.

"Ele [Trump] percebeu finalmente que um dólar fraco é bom para as exportações e para baixar o défice comercial. O que ele parece não entender é que o valor do dólar não é controlado pelo presidente. Ele pode ter muitos poderes mas esse não é um deles", afirmou. "O valor do dólar é determinado por factores macroeconómicos. E os factores que ele está a promover, nomeadamente o corte de impostos, vão conduzir a um maior défice orçamental, um maior défice comercial e um dólar mais forte".

Na mesma entrevista, Stiglitz falou sobre as mudanças na política monetária dos principais bancos centrais do mundo, prevendo que, no próximo ano, a Reserva Federal dos Estados Unidos "vai liderar o caminho". "Acho que a acção mais forte virá da parte da Fed", antecipou.

"O mais interessante é ver o que vai acontecer com o BCE, porque enfrentam um dilema: se seguirem os EUA, Itália terá um problema. Tem um grande défice em relação ao PIB, e se as taxas de juro subirem fica difícil de gerir e a Europa poderá ter uma nova crise. Penso que serão mais contidos no ajustamento", concluiu. 




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