Cultura Sucesso do festival Paredes de Coura explica-se porque "nunca se escondeu nada"

Sucesso do festival Paredes de Coura explica-se porque "nunca se escondeu nada"

O sucesso das 25 edições do Paredes de Coura explica-se porque "nunca se escondeu nada", nem os bons, nem os maus momentos, conta a organização do festival que arrancou esta quarta-feira às 19:30 com a Escola do Rock.
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Lusa 17 de agosto de 2017 às 10:23

"O sucesso de Paredes de Coura, a cumplicidade de Paredes de Coura, surge precisamente por nunca escondermos nada. É uma colecção de histórias, de momentos bons, de momentos maus, que fortaleceu Paredes de Coura. A chuva, o sol, as salmonelas, os sucessos e insucessos de bilheteira, construíram esta história maravilhosa (...). Nunca escondemos nada. Sempre tivemos essa cumplicidade com o público, sempre fomos partilhando, sempre fomos dando ouvidos a quem gosta de Paredes de Coura e, portando, acho que chegamos a 2017 com este sucesso precisamente por essa relação de cumplicidade que mantivemos com as pessoas", conta à Lusa João Carvalho, um dos fundadores e director do evento.

 

Ao som de um concerto da banda britânica The Wedding Present, em cima dos balneários do palco Jazz na Relva, junto da praia fluvial do Taboão, João Carvalho mostra-se satisfeito com o facto de Paredes de Coura assinalar este ano um quarto de século de existência.

 

"Se lhe quisermos dar um simbolismo, significa vitória. Conseguimos. Olhando para trás fizemos um festival enorme, num local improvável, numa terra pequena do interior. Fizemos uma coisa que é maior que nós todos. É um festival que marcou tendências durante estes 25 anos em Portugal", descreve o organizador, acrescentando que outra explicação para o sucesso do festival de música é a "relação de afecto" com o público e o apoio ao "marketing do coração".

 

A primeira edição do Paredes de Coura que João Carvalho destaca é precisamente a primeira, em 1993, com "uma organização "absolutamente amadora" e "desorganizada", com concertos que tinham de começar à meia-noite e começavam às 06:00. "Foi o início de tudo, essa ideia maravilhosa que tivemos em 1993 que mudou a nossa vida".

 

João Carvalho destacou também a edição de 1999, onde sentiram que o festival tinha pernas para se afirmar em termos nacionais e internacionais e por ter sido a primeira edição que "correu bem financeiramente", contando com nomes como dEUS, Suede, Guano Apes e Sneaker Pimps no cartaz.

 

A edição de 2000 foi o ano da "viragem", conta João Carvalho, explicando que foi o ano em que aprenderam a ser empresários e levaram a Paredes de Coura Bad Religion, Mr Bungle e uma banda que aparecia então a meio do cartaz do terceiro dia chamada Coldplay, entre Mão Morta e Flaming Lips.

 

Em 2004, num ano de chuva torrencial que contou com Strokes e Kelis, o festival esteve para acabar, onde até um palco desabou, recorda João Carvalho, citando mesmo uma primeira página da época que dizia que "não chovia assim há 99 anos no Verão em Portugal", tendo chovido torrencialmente durante quatro dias, gerando um 'mosh' lamacento em momentos como a actuação de Motorhead.

 

A edição "histórica" de 2005 com Nick Cake, Foo Fighters, Pixies, Vincent Gallo, The National, Arcade Fire foi outra que João Carvalho evidenciou: Foi o ano da "maior loucura das nossas vidas".

 

Por seu lado, a edição de 2015 é importante, porque "esgotou pela primeira vez", recordou.

 

A edição de 2017 também vai fazer parte da história de Paredes de Coura, porque tem "vendas históricas", onde, segundo a organização, há "25 mil pessoas por dia". "São números rigorosos, entre passes e bilhetes diários", indicou João Carvalho, referindo que este ano o recinto alargou ligeiramente, e prevêem vender "dois mil bilhetes mais do que em 2015".

 

"Esta é a edição com mais bilhetes vendidos de sempre", reitera, explicando que o recinto deste ano está de maneira a "acomodar as pessoas com mais comodidade que alguma vez tiveram", com os patrocinadores a recolocarem-se, retirando tudo o que é marca do anfiteatro, puxando o palco para trás.

 

O ambiente vivido durante o dia, a melhoria "contínua" de edição para edição e a qualidade dos concertos são as características que o festivaleiro Agostinho Rocha, de Monção, mais gosta em Paredes de Coura.

 

Por seu lado, Isabel Monteiro, do Porto, quer ver Foals, porque é aquela banda "predilecta que quer ver há imenso tempo", destacando o ambiente, a música e os amigos como os ingredientes principais para gostar do festival.

 

Durante os próximos dias vão passar pelos palcos de Paredes de Coura nomes como Benjamim Clementine, Ty Segall, Kate Tempest, Future Islands, Beach House, At The Drive In, Lightning Bolt e muitos outros.





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comentários mais recentes
FFFF 17.08.2017

Ó malta e procurar emprego?!

Anónimo 17.08.2017

Não percebo como pode haver tantos festivais de musica neste pais. O pessoal queixa-se de falta de dinheiro e de emprego mas estes espectáculos esgotam todos. Países com mais tradição musical não teem metade dos nossos festivais.