Justiça Super-espião: "90% da actividade dos serviços secretos pode ser ilegal"

Super-espião: "90% da actividade dos serviços secretos pode ser ilegal"

Em entrevista à Sábado, o ex-expião Jorge Silva Carvalho, sublinha que foi ilibado dos principais crimes que lhe imputavam. De Passos Coelho a Pinto Balsemão, passando por Júlio Pereira, os disparos vão em vários sentidos.
Super-espião: "90% da actividade dos serviços secretos pode ser ilegal"
Pedro Catarino/Correio da Manhã
Negócios 24 de novembro de 2016 às 13:25

Na primeira entrevista que concede depois de ter sido conhecida a sentença que o condena a quatro anos e seis meses de prisão, com pensa suspensa, o antigo super-espião confessa que teve dificuldade em digerir o resultado mas garante que vai recorrer.

À revista Sábado, admite ter feito coisas erradas, mas sempre em defesa do interesse do Estado português, e assinala que "90% da actividade dos serviços secretos pode ser ilegal". E dispara em vários sentidos, de Francisco Pinto Balsemão a Pedro Passos Coelho. Deixamos-lhe uma síntese das principais frases do ex-expião, antigo aliado de Nuno Vasconcellos na Ongoing.

 

Sobre a sentença: "A condenação por violação do segredo de Estado (…) é uma mordaça que me colocaram". 

 

Sobre Nuno Vasconcellos e a Ongoing: "É uma relação de amizade distante. Não temos contacto neste momento".

 

Sobre Pinto Balsemão: "Joga o mesmo jogo que o dr. Nuno Vasconcellos, só que com mais peso e influência (…) Não é por ter sido primeiro-ministro ou fundador da Impresa que se torna uma pessoa boa, válida, isenta de cometer erros".

 

Sobre o Expresso: "Ainda devo ser a pessoa que mais primeiras páginas do Expresso fez em seis meses".

Sobre a comunicação social: "Hoje o politicamente correcto é poupar um jornalista que vai longe demais".

 

Sobre Pedro Passos Coelho: "Há pessoas que confundem sentido de Estado com a falta de coluna vertebral" (…) Passos Coelho sacudiu a água do capote".


Sobre o Ministério Público: "Nós temos hoje várias classes sociais como na Idade Média. A magistratura é um novo clero, e um clero que quer ser nobre, quer fazer política".

Sobre as amizades: "Costumo dizer que tive azar com os animais: tive azar com os coelhos, com os ratos e com as serpentes. Digo serpentes porque há pessoas que gostam muito de estudos chineses e o signo deles é a serpente".

 

Sobre o pedido da facturação telefónica de um jornalista: "Nas mesmas circunstâncias, tomaria a mesma decisão, mesmo sabendo que é ilícita ou tendencialmente ilícita".

"O interesse o Estado é por vezes algo que se sobrepõe à estrita legalidade, por muito que isso custe".

 

Sobre a violação do segredo de Estado: "Nunca violei o segredo de Estado. (…) Estou disponível para um teste de polígrafo (…) e gostaria que o dr. Júlio Pereira estivesse disponível para o mesmo. (…) Tenho a certeza de que lhe correria mal." 
 

Sobre o futuro: "O próximo round será escolhido por mim no tempo e no espaço que eu achar indicado"




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comentários mais recentes
Lol ! O Portugal das Tropas ,bufos e espiões de Ab 24.11.2016

Antigamente era a PIDE agora são espiões e até já há superes ! Dizem que fazem falta para defesa do estado,Ahahahah só se for do estado soviético como o tal espião que entregava aos russos .saber quem formou esta policia e como eram escolhidos talvez os q mandaram para a URSS os arquivos da PIDE

pertinaz 24.11.2016

O HOMEM LÁ SABE O QUE FEZ E COMO FEZ

VEJO POR AQUI GENTE PREOCUPADA

... E MUITO EMPENHADA EM CALÁ-LO...

psicopata no manicomio 24.11.2016

Psicopata, narcisista e egocêntrico. Não demonstra arrependimento, todos os interesses pessoais são justificados com falsos interesses de estado. Peço 2 coisas. Aos jornalistas que deixem de usar o termo "super" e aos juizes que prendam o sr.

Camponio da beira 24.11.2016

Pois já vimos que sim, pelo caso dele e do que foi preso em Italia. O estatudo de maçon deve ser incompativel com o exercicio da magistratura, politica policias e funcionalismo publico em geral.

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