Mercado de Trabalho Taxa de sindicalização no sector privado volta a cair

Taxa de sindicalização no sector privado volta a cair

A percentagem de trabalhadores filiados em sindicatos não pára de cair. Os números oficiais dizem que apenas 8,3% dos trabalhadores do sector privado estão sindicalizados. Confederações patronais também perdem representatividade.
Taxa de sindicalização no sector privado volta a cair
Bruno Simão/Negócios
Manuel Esteves 25 de janeiro de 2018 às 20:51

A taxa de sindicalização continuou a cair já depois da crise económica e financeira que se abateu sobre o país. Segundo dados do Livro Verde das Relações Laborais, a percentagem de trabalhadores filiados em estruturas sindicais baixou de 8,8%, em 2015, para 8,3%, em 2016. 

A tendência não é de agora. Desde, pelo menos, 2011 que a taxa de sindicalização vem recuando. Em 2010, era de 10,6% e em 2013 de 9,9%.

Os números baseiam-se nas respostas das empresas contidas no chamado Relatório Único, que, por sua vez, é integrado na publicação Quadros de Pessoal. Em causa está um universo vastíssimo de 276 mil empresas (onde se inclui as do Sector Empresarial do Estado) que empregam 2,82 milhões de pessoas.

Este indicador é geralmente contestado pelas centrais sindicais que apresentam números bem diferentes em matéria de sindicalização. Enquanto os Quadros de Pessoal dão conta de 234 mil sindicalizados (8,3% de 2,82 milhões), a UGT, sozinha, diz que os seus sindicatos contam com 279 mil sócios. A CGTP não tem dados apenas para o sector privado, mas integrando o sector público aponta para 550 mil sindicalizados. É verdade que a taxa de sindicalização é muito superior no sector público, mas isso não chega, de forma alguma, para explicar as divergências entre a versão oficial e a versão das centrais sindicais.

O principal argumento usado para contestar este indicador, agora citado no Livro Verde das Relações Laborais, é o de que nem todos os trabalhadores descontam para o sindicato a partir da sua empresa. Muitos, alegam os sindicatos, preferem pagar directamente ao sindicato por recearem represálias das empresas.

Esta limitação é reconhecida no próprio Livro Verde que admite que possa haver uma subestimação do número total de sindicalizados. Porém, os autores do documento lembram que as estruturas sindicais têm sempre a possibilidade de corrigir os números na medida em que estes são transmitidos às estruturas representativas dos trabalhadores antes da publicação dos dados consolidados.

O problema da falta de filiados coloca-se também às associações patronais. Segundo a actualização do Livro Verde, a taxa de filiação nestas estruturas também caiu, passando de 18%, em 2015, para 17,1%, em 2016. 




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