Zona Euro Teixeira dos Santos: "É mais fácil ter contas públicas sãs dentro do euro"

Teixeira dos Santos: "É mais fácil ter contas públicas sãs dentro do euro"

O antigo ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos considerou hoje que os países da moeda única controlam melhor as suas contas públicas dentro da zona euro do que se estivessem fora, devido às regras de Bruxelas.
Teixeira dos Santos: "É mais fácil ter contas públicas sãs dentro do euro"
Lusa 13 de Outubro de 2016 às 22:59

"É mais fácil a um país ter contas públicas sãs dentro do euro do que fora do euro", afirmou Teixeira dos Santos na conferência "A Europa na encruzilhada - o futuro do euro", promovida pela Comissão Europeia, em Lisboa.

 

Ainda assim, o antigo governante reconheceu fragilidades nos mecanismos de suporte da divisa única, que se revelaram desde que estalou a crise na Europa, e criticou a "esquizofrenia" de Bruxelas com o rigor orçamental, que, no seu entender, não tem paralelo nas outras exigências ao nível das políticas económicas impostas no seio da União Europeia.

 

Mas Teixeira dos Santos é um defensor do euro e vincou que, "com ou sem euro, é sempre necessária disciplina orçamental", até porque entende que os defensores da saída do euro usam como argumento a vantagem da desvalorização cambial.

 

"Se tivéssemos uma política monetária própria teríamos esta inflação tão baixa e estável? Acho que não", realçou Teixeira dos Santos, sublinhando que "a desvalorização cambial estagnou a economia portuguesa" durante várias décadas.

 

Já o economista João Ferreira do Amaral, que também integrava o painel de oradores desta conferência, voltou a criticar a moeda única europeia, considerando que "o projecto do euro foi ideológico".

 

Mais, o professor argumentou que o euro foi um dos instrumentos usados para tentar implementar um projecto federalista na Europa, frisando que "ficou visível com a crise que não era este o caminho".

 

Teixeira dos Santos concordou que o ideal de uns "Estados Unidos da Europa" está cada vez mais longe, mas que é necessário reforçar o projecto europeu e, mais especificamente, a zona euro, com um orçamento comunitário forte, que conviva com os orçamentos estatais.

 

"Mario Draghi [presidente do Banco Central Europeu (BCE)] anda a inventar soluções de política monetária, mas a política monetária não chega. É preciso uma política orçamental", referiu.

 

Por seu turno, Ferreira do Amaral disse que não tem sentido "criar uma Europa forte com Estados fracos" e que é contra "instituições supranacionais, como o BCE", defendendo antes a utilidade das instituições intergovernamentais.

 

"Penso que a União Europeia foi um caminho errado que é importante reverter hoje, para que possa haver cooperação e paz na Europa", observou.

 

O economista foi mais longe, ao afirmar que "é precisa uma nova organização de Estados que substitua a União Europeia", mais próxima do projecto original dos fundadores do bloco comum europeu.




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pertinaz Há 3 semanas

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Contrarian Há 3 semanas

Ele lá sabe porque temos que ser mandados.

TinyTino Há 3 semanas

Fala a voz da experiência. HAHAHAAHAHAHAHA

luís Há 3 semanas

Bolas, que Lata. Então porque as deixaste ir à falência?

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