Teixeira dos Santos: "PT está a querer fugir aos impostos"
03 Novembro 2010, 15:44 por Lusa
Enviar por email
Reportar erro
0
O ministro das Finanças advertiu hoje que se a PT pagar o dividendo extraordinário ainda em 2010, como a empresa já anunciou que fará, passará a ideia "de que pretende assim fugir ao pagamento de impostos em 2011", o que lhe causará danos na reputação.
"Vieram hoje a público notícias dando conta de que é intenção da PT proceder ao pagamento de um dividendo extraordinário aos seus accionistas e tendo presente as alterações que constam do Orçamento do Estado para 2011, proceder ao pagamento desse dividendo ou de parte desse dividendo em 2010, poderá dar a ideia de que a PT pretende com isso estar a fugir ao pagamento do imposto que resultará dessas alterações", afirmou Teixeira dos Santos, em declarações à Agência Lusa.

O ministro explicou que a diferença entre esse pagamento acontecer ainda este ano ou no próximo, é que em 2010 a empresa beneficiaria de um conjunto de benefícios fiscais e isenções que em 2011, com o Orçamento aprovado, deixariam de existir.

"Há uma diferença entre pagar os dividendos este ano e pagar no próximo ano, se pagar já vai beneficiar de um conjunto de isenções fiscais que para o ano já não estarão em vigor tendo o orçamento aprovado, daí poder de facto transmitir essa ideia de que está a fugir ao pagamento de impostos no próximo ano", explicou à Lusa.

"Penso que causaria um dano de imagem, de reputação na PT, permitir passar ou transmitir essa imagem ou essa ideia de que pretende assim fugir ao pagamento de impostos em 2011", sublinhou Teixeira dos Santos.

O ministro reafirmou que, caso esse pagamento aconteça, tal passaria "com certeza" a ideia de que a PT está a tentar fugir ao pagamento de impostos e afirmou que a empresa, pela sua dimensão e responsabilidade, tomar uma decisão desse género seria de muito difícil compreensão na actual conjuntura.

"Creio que na actual situação que o país atravessa, em que todos os portugueses são convocados para fazer sacrifícios significativos, será difícil perceber uma decisão nesse sentido por parte de uma empresa que é uma empresa importante pela sua dimensão, pelo peso que tem no nosso mercado de capitais, e pela responsabilidade social que tem perante o país", afirmou à Lusa.

"Acho que isto causará um dano reputacional e com certeza que os portugueses terão muita dificuldade em perceber que num momento destes, em que todos somos convocados a colaborar ou a participar num esforço nacional para ultrapassarmos os problemas com que nos defrontamos nos mercados financeiros internacionais, acho que os portugueses terão dificuldade em perceber um comportamento que possa perfilhar uma tentativa de fugir ao pagamento de impostos no próximo ano", concluiu.



Enviar por email
Reportar erro
0