Economia Telemóvel de 23 dólares torna presidente da Reliance no segundo mais rico da Ásia

Telemóvel de 23 dólares torna presidente da Reliance no segundo mais rico da Ásia

Mukesh Ambani destronou Li Ka-shing e tornou-se o segundo homem mais rico da Ásia depois dos investidores terem apoiado os seus esforços para munir os pobres da Índia de telefones baratos carregados de dados. Alguns analistas estão a começar olhar para os custos da sua ambição.
Telemóvel de 23 dólares torna presidente da Reliance no segundo mais rico da Ásia
Reuters
Bloomberg 03 de agosto de 2017 às 12:45

O presidente da Reliance Industries, Mukesh Ambani (na foto), viu o seu património aumentar 12,5 mil milhões de dólares (10,55 mil milhões de euros) este ano, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index, porque as acções da sua empresa, de telecomunicações, atingiram um recorde. O motor dessa subida é optimismo de que um novo telefone de 23 dólares, lançado em Junho, expandirá o mercado da rede móvel de quarta geração de Ambani ao interior da Índia. Toda a pompa com que o JioPhone foi recebido ofuscou o facto de que, segundo um indicador, a dívida da empresa subiu para um máximo de pelo menos 15 anos.

 

A empresa de telecomunicações, uma obra a que Ambani se dedica há sete anos por amor, sugou mais de 31 mil milhões de dólares em investimentos e ainda não rendeu nenhum lucro. A companhia ajudou a quase triplicar a dívida total do grupo desde Março de 2012 e provocou uma guerra de preços cruel no segundo maior mercado de comunicações móveis do mundo. Cerca de 90% das receitas da Reliance continuam a surgir das unidades antigas de refinação e petroquímicos, e o retalho, a media e a exploração de energia contribuem com o restante.

 

A corretora local Kotak Securities emitiu uma nota de alerta a 23 de Julho ao rever, para "reduzir", a classificação da acção da Reliance. "Continuamos cautelosos com a alta projecção do gasto de capital e o aumento dos níveis de dívida líquida", escreveram Tarun Lakhotia e Akshay Bhor, analistas em Mumbai.

 

A razão entre dívida líquida e EBITDA da empresa quadruplicou no período de cinco anos até Março de 2017 e está no patamar mais alto desde 2002, quando a Bloomberg começou a monitorizar os dados. Os analistas consideram o EBITDA como um indicador do lucro operacional de uma empresa, ou seja, o dinheiro que ganha antes de pagar os impostos e os juros de empréstimos e de contabilizar as depreciações e as amortizações.

 

Um porta-voz da Reliance não respondeu a um e-mail com um pedido de comentários sobre a crescente dívida da empresa.

 

Ambani descreveu a Jio como "uma jóia" entre os recursos da Reliance durante a reunião geral anual da empresa, realizada a 21 de Julho. "O seu valor comercial e societário crescerá muito na próxima década", disse. "Jio tornar-se-á na maior fornecedora de serviços de dados, produtos e plataformas de aplicações da Índia."

 

Na verdade, a Kotak Securities está entre uma minoria de quatro corretoras que recomendam "vender" as acções da Reliance, face a 13 recomendações de "manter" e 21 de "comprar" entre as firmas monitorizadas pela Bloomberg.

 

As acções da Reliance acumulam uma subida superior a 52% desde o início do ano, tendo negociado acima de 1.650 rúpias esta quinta-feira, 3 de Agosto, o que compara com um preço-alvo médio de 1.619,20 rúpias para os próximos 12 meses.

 

Para Ambani, estas subidas elevaram o seu património líquido para 35,2 mil milhões de dólares, levando-o ao número 19 no Bloomberg Billionaires Index, sendo que ocupava o 29.º lugar no final de 2016. Ambani ultrapassou Li Ka-shing — cujo império abrange telecomunicações, retalho e portos — durante alguns dias em Abril e novamente no dia 7 de Julho.

(Texto original: Mukesh Ambani Tops Li Ka-shing as Asia's Second-Richest Man)

 




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comentários mais recentes
bucks 11.08.2017

E assim se enriquece...Com telemóveis para os pobres.

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