Américas Temer pede a Lisboa que seja "voz do Brasil" nas negociações UE/Mercosul

Temer pede a Lisboa que seja "voz do Brasil" nas negociações UE/Mercosul

Na opinião do Presidente brasileiro, Portugal "poderia ser a voz do Brasil perante a União Europeia com vista a formalizarmos o mais rapidamente possível este acordo entre o Mercosul e a União Europeia".
Lusa 01 de Novembro de 2016 às 20:22
O Presidente brasileiro, Michel Temer, pediu esta terça-feira, 1 de Novembro, a Portugal que seja "a voz do Brasil" na Europa nas negociações sobre o acordo de associação Mercosul-União Europeia, ao que o primeiro-ministro português respondeu que será "pelo menos advogado".

"Conversámos sobre a prioridade que ambos os países atribuem às negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Já há um bom período que Mercosul e União Europeia tentam formalizar este acordo", disse Temer, em declarações aos jornalistas no final da XII cimeira luso-brasileira, com a presença do primeiro-ministro António Costa, que decorreu esta tarde em Brasília.

Na opinião do Presidente brasileiro, Portugal "poderia ser a voz do Brasil perante a União Europeia com vista a formalizarmos o mais rapidamente possível este acordo entre o Mercosul e a União Europeia".

"O Brasil contará sempre com Portugal, eu não diria como porta-voz, mas pelo menos como advogado, nestas negociações entre a Europa e o Mercosul", garantiu, de seguida, António Costa.

O primeiro-ministro português sublinhou que esta é uma área em que os interesses dos dois países coincidem, porque "quanto mais estreita for a relação entre a Europa e o Mercosul, mais estreita é a relação entre Portugal e o Brasil".

Costa acrescentou, depois: "Esse é o trabalho sempre inacabado que começou há mais de 500 anos e que terá necessariamente de prosseguir por muitos e muitos anos para além da nossa própria existência".

Na sua declaração, Michel Temer lembrou que "já há um bom tempo" que não se realizavam cimeiras bilaterais entre Portugal e Brasil - a última foi em Junho de 2013, entre a então Presidente brasileira Dilma Rousseff e o ex-primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho.

No final da reunião, os dois países assinaram cinco acordos, o que, para Temer, mostra que Lisboa e Brasília não ficaram "apenas nas palavras, mas revelam a execução" do que foi conversado entre ambos.

O Presidente brasileiro identificou a cooperação na ciência e tecnologia - que foi objecto de três acordos nesta cimeira - como "a nova fronteira do relacionamento bilateral".

"Enfatizámos as oportunidades que se abrem para investidores portugueses com os projectos de parceria de investimentos, especialmente em infraestrutura", enunciou Temer, que recordou que Portugal tem cerca de 600 empresas instaladas no Brasil, que geram "milhares de empregos directos e indirectos".

O chefe de Estado brasileiro deu também o exemplo da cooperação entre os dois países na Embraer, empresa aeronáutica brasileira com fábricas em Évora, e disse que os brasileiros têm "a esperança" que Portugal encomende rapidamente "uma fornada de aviões".

"Brasil e Portugal são parceiros históricos e têm uma agenda moderna. Saúdo esta presença do primeiro-ministro António Costa, que vai incrementar ainda as relações culturais, afectivas e especialmente comerciais entre o Brasil e Portugal", afirmou.

A questão das negociações UE/Mercosul constam num dos pontos da declaração final conjunta da cimeira, com os dois governantes a congratularem-se com o reinício das negociações.

"Renovaram o seu compromisso para que os blocos ingressem na fase final do processo negociador, com vista à conclusão de um acordo ambicioso, abrangente e equilibrado", lê-se na declaração conjunta.

Sobre o relacionamento bilateral, os dois governantes recordaram que a comissão permanente bilateral é o principal fórum responsável pelo acompanhamento da cooperação luso-brasileira e pela preparação das cimeiras, tendo instruído a comissão "a examinar formas de aprimorar o seu trabalho e ajustar as respectivas práticas aos objectivos e prioridades actuais da parceria".



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