União Europeia Tensão na Catalunha: Confrontos continuam para impedir votações

Tensão na Catalunha: Confrontos continuam para impedir votações

A Polícia Nacional e a Guardia Civil já carregaram sobre manifestantes. Tentam fechar assembleias de voto, perante a acusação do Governo central de que a polícia regional não age. Generalitat diz que há mais de 300 feridos.
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Negócios 01 de outubro de 2017 às 11:09
O referendo à independência da Catalunha convocado unilateralmente pelo Governo da região e suspenso pelo Tribunal Constitucional está a motivar momentos de tensão em Barcelona. Já houve cargas policiais, segundo contam os jornais espanhóis, sobre manifestantes. A Polícia Nacional e a Guardia Civil colocaram agentes em assembleias de voto de Barcelona para impedir o referendo sobre a independência da Catalunha.

O El Pais escreve que a polícia nacional actuou perante a não acção da polícia regional. Segundo relatos do El Pais, os Mossos d'Esquadra não fecharam as assembleias de voto.

Em alguns locais ocorreram cenas de tensão e algum uso de força entre os populares e a polícia, equipada com material antidistúrbios, ainda não utilizado, como armas de balas de borracha. Já houve manifestantes presos. Mas segundo os relatos da imprensa os catalães continuam a tentar votar, e há mesas com filas.

O primeiro balanço da Generalitat dava conta de 38 feridos, três em estado grave pelas cargas policiais. Pablo Iglesias já tinha feito um twitter a mostrar feridos. Mas uma mais recente contagem fala em 300. Os dados da Generalitat das 14:18 (horas locais, mais uma que em Lisboa) falam em 337 pessoas feridas. A polícia já terá utilizado balas de borracha. A denúncia de violência veio do próprio presidente catalão, Carles Puigdemont, que afirmou que houve um "uso injustificado, irracional e irresponsável da violência por parte do Estado espanhol", que o "envergonhará para sempre".

Citada pela Lusa um porta-voz dos Serviços de Saúde catalães precisou que "deram entrada nos hospitais e centros de saúde 337 pessoas, a maioria por se terem sentido mal ou por problemas ligeiros, mas entre eles 90 feridos e um ferido grave, num olho".

Em conferência de imprensa ao início da tarde, o governo regional catalão tinha actualizado para 337 o número de feridos na sequência dos distúrbios.

"Há 337 pessoas feridas ou com contusões. Pedimos aos feridos que façam uma denúncia junto dos Mossos d'Esquadra", declarou o porta-voz da Generalitat, Jordi Turull.


A Generalitat garantia, durante a manhã, que 73% dos colégios abriram e estão a funcionar.

O presidente catalão Carles Puigdemont e o seu vice-presidente Oriol Junqueras votaram antes das 10:30. A Generalitat já anunciou que os cidadãos podem votar em qualquer colégio. Aliás, o próprio Puigdemont votou em Cornellà de Terri, evitando o centro desportivo escolar onde estava inscrito, por ter sido ocupado pela polícia.


Meia centena de agentes da Polícia Nacional e da Guardia Civil ocuparam cerca das 09:15 locais (08:15 em Lisboa) o pavilhão desportivo escolar de Sant Julià de Ramis, em Girona, onde deveria votar Puigdemont.

Mas o Ministério do Interior garantiu, entretanto, que desactivou o censo universal, que permite a votação em qualquer centro. E o El Pais diz que não há rede nas assembleias de voto.

O Governo central já acusou os Mossos d'Esquadra de passividade e o Ministerio Público diz que vai abrir um inquérito, já que considera que os Mossos estão a comportar-se como polícia política e por terem traído a confiança dos juízes. 

O delegado do Governo nacional na Catalunha afirmou que, face ao que diz ser a inacção dos Mossos, Madrid "viu-se obrigada a fazer o que não queria": usar autoridades nacionais para impedir as votações.

A atitude da polícia regional "pôs em risco, de maneira irresponsável, o prestígio" das autoridades catalãs, disse Enric Millo numa conferência de imprensa na delegação do Governo em Barcelona.


"Os ‘Mossos’ tinham uma ordem policial de impedir a celebração do referendo ilegal, por isso deveriam evitar que se abrissem os denominados centros eleitorais", afirmou Enric Millo.

O conselheiro do governo catalão para os Assuntos Exteriores já anunciou que vai apresentar uma queixa contra o executivo espanhol na União Europeia, por violação dos direitos humanos.

Em conferência de imprensa, Raul Romeva afirmou, citado pela Lusa, que a Generalitat vai invocar o artigo n.º 7 do Tratado da União Europeia (UE), que permite ao Conselho da Europa tomar medidas contra um Estado-membro se for declarada uma "violação grave" do artigo 2.º do mesmo diploma.

Segundo o Tratado, a UE "funda-se nos valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de direito e do respeito pelos direitos do Homem, incluindo os direitos das pessoas pertencentes a minorias", com valores comuns aos Estados-membros, numa sociedade caracterizada pelo pluralismo, a não discriminação, a tolerância, a justiça, a solidariedade e a igualdade entre homens e mulheres".

Para o conselheiro das Relações Exteriores do governo catalão, a UE deve ser um garante dos direitos humanos e agora o estado espanhol "colocou em risco esta imagem" de garante com as ações policiais contra o referendo independentista.

(Notícia actualizada às 13:40 com dados de feridos e às 15:30)




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comentários mais recentes
Criador de Touros Há 3 semanas

A esquerda gosta da confusão, da anarquia. Este assunto é sério e a Espanha no futuro tem de ser menos ingénua e um pouco mais dura. Os catalães têm a mania que são melhores que os outros. Foi Madrid que lhes deu tudo. Esta confusão foi principalmente fomentada pela esquerda.

ZE Há 3 semanas

Respeitem a Catalunha , a ela devemos a nossa independência em relação aos Filipes . A democracia é bela e o resto conversa. O estado Português verga-se constantemente perante ditaduras como a Angolana , não acreditem q os valores do povo português
estão á venda.

Los catalenhos independentistas Há 3 semanas

Deberiam llevar con el cacetino qe los cura la maluqenha

Anónimo Há 3 semanas

os catalães deviam era lutar contra o colonialismo dos ingleses em Gibraltar, senão parece a minha luta entre o município e a minha freguesia

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