Finanças Públicas The Economist sobre Portugal: DBRS está numa "posição complicada"

The Economist sobre Portugal: DBRS está numa "posição complicada"

A publicação britânica diz que os mercados estão "ansiosos" para saber se a agência de rating mantém o grau de investimento da dívida soberana portuguesa. E que a decisão da DBRS, qualquer que venha a ser, é ela própria um factor de risco.
The Economist sobre Portugal: DBRS está numa "posição complicada"
Paulo Zacarias Gomes 13 de outubro de 2016 às 17:27

A oito dias de a DBRS poder rever a classificação atribuída à dívida portuguesa e na véspera de o Governo apresentar o Orçamento de 2017 ao Parlamento, a revista The Economist diz que a agência de rating canadiana – a única que classifica as obrigações nacionais com grau de investimento - tem em mãos uma tarefa difícil.


Num artigo intitulado "Turismo Aventura – O fraco crescimento volta a tornar Portugal vulnerável", que sairá para as bancas neste sábado, a publicação britânica escreve que os mercados esperam "ansiosamente" pela decisão da DBRS. Mas qualquer que venha a ser, a decisão da própria agência tornou-se num factor de risco.


Lembra a publicação que um corte na notação, atirando o "rating" para grau "lixo", poderia afastar as obrigações nacionais do programa de compras do BCE e por essa via dificultar o acesso da banca a financiamento, já que o banco central deixaria de aceitar aqueles títulos como colateral. Um cenário que André Rodrigues, do Caixa BI, acredita que não é um problema de curto prazo para o funcionamento dos bancos, já que os bancos estão "inundados" com liquidez.

Além disso, há que contar o impacto de uma decisão negativa na confiança e na procura pela dívida soberana, que tornaria mais caro o financiamento. Ainda que o Tesouro disponha de uma almofada de financiamento e tenha estado nos mercados a refinanciar dívida, o que permite que "possa ficar fora dos mercados durante algum tempo", segundo Kathrin Muehlbronner, da Moody’s.


"Tudo isto põe a DBRS numa posição complicada. Ela tornou-se parte do risco que está a tentar avaliar", escreve a publicação, lembrando que esta semana a agência considerou estar "confortável" com a posição orçamental de Portugal. Fergus McCormick, economista-chefe da agência, diz que a decisão sobre a notação vai basear-se em indicadores de longo prazo, com o potencial de crescimento do país a influenciar mais do que a situação de endividamento.


A The Economist desfia então os "problemas profundos" com que, diz, a economia portuguesa se debate, nomeadamente com o sector financeiro pouco rentável e demasiado exposto a activos de má qualidade, o ritmo lento de crescimento da economia, a "desilusão" com as reformas estruturais ou a fraca procura da zona euro, além das limitações ao investimento decorrentes do sobreendividamento do sector privado.


"Os dias até 21 de Outubro [data para a decisão] vão ser gastos a tentar descobrir se a recente fraqueza é suficiente para destabilizar o rácio da dívida pública sobre o PIB. Uma decisão de manter o rating seria um voto de confiança, pelo menos por agora," conclui o artigo.


Esta terça-feira, também o Wall Street Journal dedicou um trabalho à situação de Portugal, referindo que o crescimento lento da economia e o elevado endividamento do país para justificar aumentam os receios de que seja necessário recorrer a um novo resgate, que "seria um golpe na moral da União Europeia."




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mais votado Anónimo 13.10.2016


FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

"Os trabalhadores que lutam, não o fazem por privilégios mas sim por direitos", diz a FP.


COMO SÃO PAGOS OS “DIREITOS” DA FP?

Através dos aumentos de impostos... que representam um corte no salário dos trabalhadores do privado (que não têm esses direitos)!

CONCLUSÃO: Os “direitos” de uns, são pagos com o SACRIFÍCIO dos outros!

comentários mais recentes
a ver vamos 14.10.2016

A DBRS não vai reduzir o rating de Portugal na próxima semana. Só o faria, se as taxas de juro estivessem insuportavelmente altas, o que tem sido impedido até agora, hora a hora, pelas compras massiças de dívida portuguesa pelo BCE através do Banco de Portugal. Até agora, só fumaça.

Rui Alexandre Manso Rua 13.10.2016

a festa dos geringonços acaba quando esta tiver coragem alterar o rating....

Antonio Manuel Alves Dias 13.10.2016

Pensava que era Portugal!!

VGJCosta 13.10.2016

Está e estará sempre em situação complicada (de ameaças e chantagens, ainda que veladas e sob a capa de jornais ditos de referência), enquanto tiver um governo apoiado pela esquerda. Convinha fazer uma série de perguntas a tão afamado pasquim:
É só, Portugal que tem fraco crescimento económico? Qual o crescimento do bloco Europeu?
Qual o contributo do superavit alemão para o fraco crescimento da economia europeia, para os elevados níveis de desemprego, para os deficits e para o endividamento, de FRANÇA, de Portugal, de Espanha e da Grécia, entre outros?
Porque tem o Deutsch BanK alemão, cujo estoiro, terá, segundo muitos analistas, consequências para a economia europeia e mundial, bem mais gravosas que o do Lehman Brothers, tratamento diferente de um outro qualquer banco (nomeadamente porque foi ajudado a falcatroar os testes de stress das instituições europeias)?
Será que, face ao exposto, um jornal, SUPOSTAMENTE, de referência, como o Economist, não tem situações bem mais gravosas, que a portuguesa, para tratar?
Por último, jornal de referência, na área da economia, ou pasquim?

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