Economia Troika vê retoma onde outros vêem estagnação
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Troika vê retoma onde outros vêem estagnação

Economia cresce a conta gotas e desemprego mantém-se em máximos históricos. Boas notícias só nos juros.
Pedro Romano 31 de maio de 2012 às 09:00

O "caso irlandês" tem servido como arma de arremesso dos dois lados da barricada no debate entre quem defende a consolidação orçamental a todo o custo e quem pede mais calma na austeridade.

A troika, com a Comissão Europeia à cabeça, tem apontado para os bons sinais transmitidos pelos mercados: as taxas de juro de longo prazo baixaram consideravelmente nos últimos meses e já oscilam ligeiramente abaixo dos 7%, próximo dos níveis atingidos em Outubro de 2010, quando Dublim pediu ajuda.

Além disso, a economia já está a crescer e começa, pouco a pouco, a recuperar do maior rombo económico das últimas décadas, que entre 2008 e 2009 "roubou" mais de 15% do PIB irlandês. E este é um caso único entre os PIGS: no continente, Espanha, Grécia e Portugal continuam em recessão.

Os "austeritários" não têm dúvidas em relação ao que está por trás deste bom comportamento: a Irlanda foi a primeira a cortar a fundo no défice – logo em 2008, chocou o resto da Europa ao anunciar um corte de salários na função pública – e desde então não se tem desviado um milímetro desta linha oficial. Quando, em 2011, se descobriu que a dívida pública tinha sido sobrestimada, o Governo não aliviou a austeridade; limitou-se simplesmente a rever em alta o objectivo do défice.

Quem não "compra" esta versão são economistas como o Nobel Paul Krugman, que lembra que este crescimento, já de si muito tímido, faz-se a partir de um ponto de partida baixíssimo. Na verdade, o PIB está praticamente parado desde 2009 e continua hoje cerca de 12% abaixo do nível atingido no final de 2007. "Não vemos progressos", diz Frank Barry, professor de economia no Trinity College, de Dublin.

Os números são ainda piores quando se olha para o Rendimento Nacional, uma variável que retira a parte do PIB que reflecte apenas rendimentos do estrangeiro – e que na Irlanda é particularmente relevante, tendo em conta a quantidade de multinacionais presentes no território. No mercado laboral, o panorama também não é bom: em Maio, o desemprego manteve-se nos 14,3%.








































































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