Mundo Trump ataca política comercial e militar chinesa

Trump ataca política comercial e militar chinesa

Uma ligação telefónica com a presidente de Taiwan bastou para Pequim criticar a "inexperiência" do presidente eleito dos EUA, que não tardou a responder nas redes sociais.
Trump ataca política comercial e militar chinesa
Jonathan Ernst/Reuters
António Larguesa 05 de dezembro de 2016 às 10:24

Uma ligação telefónica entre Donald Trump e a líder de Taiwan, naquele que foi o primeiro contacto oficial entre os presidentes dos dois países desde 1979, está a provocar um novo foco de tensão entre o futuro presidente dos Estados Unidos e as autoridades chinesas, que consideram aquela ilha uma província da China.

 

O republicano resolveu aceitar um telefonema feito por Tsai Ing-wen para lhe dar os parabéns pela vitória nas eleições de 8 de Novembro, e de imediato a imprensa oficial chinesa apontou a "inexperiência" da equipa de transição norte-americana em "lidar com as relações externas" e assinalou que Trump "tem zero de experiência diplomática e desconhece as repercussões em agitar as relações" entre os dois blocos.

 

Apesar de esta reacção chinesa nem ter sido particularmente violenta e de Mike Pence, o futuro vice-presidente, ter tentado também desvalorizar este telefonema "de cortesia" – sublinhando que não significa uma mudança de política nas relações os EUA e a China –, na noite de domingo, 4 de Dezembro, Donald Trump não resistiu a usar novamente a rede social Twitter para dirigir algumas alfinetadas a Pequim.

 

"A China perguntou-nos se era bom desvalorizar a sua moeda (prejudicando a competitividade das nossas empresas), taxar fortemente os nossos produtos que entram no seu país (os Estados Unidos não os taxam) ou construir um enorme complexo militar no meio do Mar do Sul da China? Não me parece!", escreveu em duas mensagens.

 

 

Já esta segunda-feira, durante as habituais conferências de imprensa, o porta-voz do regime chinês optou por colocar alguma água na fervura, recusando também especulações sobre o significado político do polémico telefonema realizado três dias antes. "Da parte dos EUA, incluindo na equipa do presidente eleito Trump, está muito clara a posição solene da China sobre esta questão", referiu Lu Kang, citado pela Reuters.

 

E essa posição é, de facto, conhecida há muito tempo e é formulada sempre da mesma maneira. A China defende a "reunificação pacífica" com Taiwan e promete "usar a força, se necessário", caso aquele território decida declarar a independência. Desde o restabelecimento das relações bilaterais em 1979, Washington passou a reconhecer a China como território único e interrompeu as ligações diplomáticas com Taiwan, embora mantenham laços informais.




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