Américas Trump dá primeiro "golpe" no Obamacare

Trump dá primeiro "golpe" no Obamacare

O chefe de Estado decidiu cortar os subsídios atribuídos às companhias de seguros para garantir que os cuidados de saúde nos EUA chegam a cidadãos com menos posses. Democratas e vários Estados já avançaram contra a medida.
Trump dá primeiro "golpe" no Obamacare
Kevin Lamarque/Reuters
Paulo Zacarias Gomes 13 de outubro de 2017 às 11:19
O presidente norte-americano avançou esta quinta-feira para a imposição nos cortes a subsídios atribuídos a companhias de seguros de saúde relacionados com pacientes com baixos recursos, uma medida destinada a reverter o sistema de saúde Obamacare, desenhado pela anterior administração.

Por outro lado, Donald Trump assinou ainda uma ordem executiva que torna mais fácil a compra de planos de saúde básicos e que estão isentos dos requisitos actualmente existentes para aderir ao Obamacare. 

Segundo a Reuters, a decisão de corte de subsídios - que pode aumentar os preços finais dos pacotes em 20% no próximo ano - já levou à condenação por parte de democratas e ameaça gerar uma guerra nos tribunais, nomeadamente por parte dos procuradores dos Estados de Nova Iorque e Califórnia.

"É um acto rancoroso de sabotagem alargada e inútil, dirigida às famílias trabalhadoras e à classe média em todos os cantos da América. (...) Não tenham ilusões: Trump tentará culpar o Obamacare, mas a medida vai pesar sobre si e acabará por pagar o preço por isso," afirmaram os líderes democratas no Congresso, em comunicado citado pela Reuters.

Apesar de ter viabilizado o pagamento dos subsídios às companhias - destinados a cobrir a parte do valor do seguro que os doentes de baixas posses não podem pagar -, o presidente norte-americano tem ameaçado recorrentemente terminar com essas transacções, que considerou serem um "resgate" pago às seguradoras.

Oficialmente, a Casa Branca defende-se com argumentos legais, dizendo não ser possível à luz da lei continuar a fazer pagamentos que reduzem os gastos dos cidadãos com estes serviços, sustenta o Departamento de Saúde e Serviços Humanos. Os republicanos defendem por seu turno que cabe ao Congresso decidir a que propósitos devem ser alocadas as verbas, o que já gerou processos em tribunal.

A indefinição já levou várias seguradoras a reduzirem o leque de serviços oferecidos em alguns Estados ao abrigo do Obamacare, que estendeu os cuidados de saúde a 20 milhões de cidadãos norte-americanos.