Política Monetária Trump, inflação e Yellen em final de mandato levam mercados a duvidar da Fed

Trump, inflação e Yellen em final de mandato levam mercados a duvidar da Fed

O mercado está desalinhado em relação às orientações que a Reserva Federal dos EUA tem deixado nos últimos meses, alerta a Allianz Global Investors.
Trump, inflação e Yellen em final de mandato levam mercados a duvidar da Fed
Andrew Harrer/Bloomberg
Rui Barroso 20 de setembro de 2017 às 14:55

A orientação futura é uma das ferramentas utilizadas pelos bancos centrais. É utilizada para alinhar as expectativas dos investidores às medidas de política monetária que possam vir a ser implementadas. O objectivo é reflectir essas alterações de forma gradual nos preços de activos e evitar apanhar os investidores de surpresa, o que poderia trazer turbulência aos mercados financeiros, algo que os bancos centrais querem evitar.

Mas a Reserva Federal enfrenta dificuldades na tarefa de convencer o mercado do ritmo da subida das taxas de juro. "Existe actualmente uma diferença notável entre a orientação futura da Fed e as expectativas do mercado quanto aos juros", considera Franck Dixmier, responsável do mercado de obrigações da Allianz Global Investors.

E enumera dados que mostram esse desalinhamento das expectativas: "Conforme observámos no quadro "dot-plot" de Junho, 70% dos membros do FOMC idealizaram pelo menos mais uma subida de 25 pontos base em 2017, e 80% acredita que os juros deveriam subir ainda mais antes do final de 2018".

Um ritmo diferente do que é incorporado pelo mercado. "Os futuros dos fundos federais sugerem que os mercados antecipam uma hipótese um pouco acima dos 50% para uma subida de 25 pontos base até ao final de 2017 e uma hipótese de 60% para um aumento antes do final de 2018", constata Franck Dixmier.

Os motivos do cepticismo

O especialista da Allianz Global Investors deixa quatro possíveis explicações para este cepticismo do mercado em relação às indicações deixadas pela Fed. A primeira tem a ver com a falta de resposta da inflação, provocada principalmente pela ausência de aumentos nos salários.

Outro dos motivos apontados tem a ver com a incerteza em relação à administração Trump. "Mantêm-se as dúvidas sobre a capacidade da administração do Presidente Donald Trump em implementar reformas que poderiam estimular o crescimento", considera Franck Dixmier. Além disso, o responsável da Allianz Global Investors considera que "os prejuízos do furacão Harvey vão reduzir ainda mais a visibilidade dos indicadores crescimento futuro e inflação".

E um outro factor de desconfiança são as demissões e a incerteza sobre a liderança da Fed, à medida que o mandato de Janet Yellen se aproxima do final. "O anúncio-surpresa de renúncia iminente do vice-presidente Stanley Fischer e a perspectiva de um final de mandato de Janet Yellen em Fevereiro de 2018 tem ensombrado as intenções da Fed", conclui Franck Dixmier.




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BCP : 3 cães de volta do mesmo OSSO 20.09.2017




SANTANDER SONANGOL e FOSUN são apenas 3 dos várias EMPRESAS que andam a sobrevoar o BCP que continua ao preço da UVA MIJONA a qualquer altura poderá aconteçer o LANÇAMENTO de UMA OPA e lá vai o BCP para os ESTRANJEIROS

BCP : 2017 price target CONFIRMADO 0.39 20.09.2017


ROE (2018 CEO plan) = 10%. Equity = 5.900.000.000€. Earnings = 0,1 x 5.900.000.000€ = 590.000.000€. P/E = 10 (Eurozone average). Market capitalisation = 10 x 590.000.000€ = 5.900.000.000€. Stock price target = 5.900.000.000€ / 15.000.000.000 = 0,39€

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