Américas Trump promete "apanhar" delatores de Washington

Trump promete "apanhar" delatores de Washington

O presidente dos EUA lançou uma caça aos responsáveis pelas fugas de informação em Washington, que acusa de serem "criminosas". O New York Times já lembrou declarações de Trump em que este dizia "amar" o Wikileaks.
Trump promete "apanhar" delatores de Washington
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 16 de fevereiro de 2017 às 16:47

O presidente norte-americano promete que os responsáveis pelas fugas de informação nos últimos dias em Washington, que entre outros conduziram à recente demissão do seu conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, vão ser encontrados.

Em duas publicações no Twitter feitas esta quinta-feira, 15 de Fevereiro, Donald Trump afirma que o problema das fugas de informação, legais e ilegais, é histórico no centro político dos EUA e que os acontecimentos dos últimos dias colocaram o foco nesses "imorais".

"Vão ser apanhados!", garantiu o chefe de Estado norte-americano, dizendo que o New York Times e outros meios devem "pedir desculpa" por transmitir a informação. Isto depois de, já ontem, ter denunciado que os serviços de inteligência são a origem da fuga e que as informações estão a ser fornecidas à imprensa "como doces".

Essa mesma linha foi defendida por Sean Spicer, o responsável pela comunicação da Casa Branca, que apontou ontem o dedo a membros do Departamento de Justiça e à comunidade dos serviços secretos pela divulgação da informação.

O New York Times refere como exemplos das fugas de informação das últimas semanas os vários esboços dos decretos executivos do presidente que circularam pela capital antes de serem assinados, os relatos de conversas de Trump com líderes estrangeiros (como as tidas com o presidente mexicano e o primeiro-ministro australiano) tornados públicos e a denúncia de ligações de conselheiros de Trump à Rússia.

Foi esta última categoria que levou Michael Flynn a demitir-se na terça-feira passada, depois de informações de que teria enganado o vice-presidente, Mike Pence, e outros funcionários sobre os seus contactos com Moscovo. Em causa conversações sobre as sanções impostas pelos EUA à Rússia por causa da Crimeia, tidas entre o conselheiro e o embaixador russo nas Nações Unidas, que Flynn negou e sobre as quais terá suprimido informação a Pence.

Mas o jornal nova-iorquino também recorda que, enquanto candidato à presidência, Trump saudou a divulgação de e-mails da adversária Hillary Clinton à imprensa, chegando a dizer em Outubro passado que "amava" o WikiLeaks (a comunidade de divulgação de informação classificada fundada por Julian Assange) e que os dados então veiculados constituíam serviço público.



O republicano luso-descendente Devin Nunes, presidente da comissão de informação interna no Congresso, anunciou na Fox que a comissão vai pedir ao FBI um relatório sobre a passagem de informação classificada à comunicação social, "porque não podemos continuar a ter estas fugas enquanto governo".

Já esta quinta-feira, o fundo de investimento Cerberus Capital Management, disponibilizou-se para conduzir um relatório de avaliação da comunidade de serviços de inteligência e fazer recomendações para melhorias. Trump confirmou o contacto mas disse esperar não ser necessário recorrer aos serviços da Cerberus. 

(Notícia actualizada às 18:57, último parágrafo actualizado com declarações de Donald Trump)




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