União Europeia UE ficou mais perto de ter um exército comum

UE ficou mais perto de ter um exército comum

Os líderes europeus aprovaram a criação de um Fundo europeu de Defesa e o estabelecimento de um quadro de cooperação permanente no domínio militar.
UE ficou mais perto de ter um exército comum
Eva Gaspar 22 de junho de 2017 às 18:31
A União Europeia deu nesta quinta-feira, 22 de Junho, o primeiro passo concreto para a criação de um exército europeu.

Reunidos em Bruxelas, os líderes europeus aprovaram a criação de um Fundo Europeu de Defesa e um quadro de cooperação estruturada permanente no domínio militar ao qual poderão aderir, numa base voluntária, todos os Estados-membros. Dentro de três meses, os países interessados terão de sinalizar a sua disposição e fornecer uma primeira indicação dos recursos disponíveis para pôr ao serviço dessa cooperação militar permanente que se estruturará no seio da UE, de forma complementar à NATO.  

"Histórico", afirmou Donald Tusk (na foto), presidente do Conselho Europeu, órgão máximo que reúne os chefes de Estado ou de governo dos ainda 28 países-membros. "É um passo histórico, porque essa cooperação permitirá que a UE avance para uma integração mais profunda na defesa. O nosso objectivo é que seja uma cooperação ambiciosa e inclusiva, pelo que cada país é convidado a participar. Dentro de três meses, os Estados-membros acordarão uma lista comum de critérios e de compromissos, juntamente com projectos concretos, para lançar essa cooperação do terreno", precisou.

Ao seu lado, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, afirmou que na UE há 178 tipos diferentes de armas e 70 modelos de tanque (que exigem, desde logo, aprendizagens distintas) para ilustrar a necessidade de os países europeus convergirem e actuarem em conjunto no domínio da defesa "onde gastamos metade do que os Estados Unidos e temos apenas 15% da eficiência norte-americana".

Nos moldes propostos pela Comissão Europeia, o Fundo europeu de Defesa poderia mobilizar 5,5 mil milhões de euros por ano, e "ajudaria os Estados-membros a despender o dinheiro dos contribuintes de uma forma mais eficiente, reduzindo duplicações na despesa e obtendo uma melhor relação custo-benefício".
 
Englobando duas vertentes  – a investigação, por um lado, e o desenvolvimento e aquisição, por outro -, o fundo irá "coordenar, complementar e ampliar os investimentos nacionais na investigação em matéria de defesa, no desenvolvimento de protótipos e na aquisição de equipamentos e tecnologia de defesa", propôs Bruxelas.

Estas propostas surgem num contexto em que a UE se prepara para perder o Reino Unido e não sabe até que ponto pode continuar a contar com os Estados Unidos como aliado estratégico.


Falando no final da primeira sessão de trabalho da cimeira, que começou esta tarde e termina amanhã, em Bruxelas, Donald Tusk anunciou ainda o pedido dos líderes europeus, dirigido às empresas que gerem redes sociais, como o Facebook, para que desenvolvam ferramentas capazes de "detectar e remover automaticamente" propaganda extremista e terrorista. Caso esse pedido não seja acatado, Tusk acenou com a possibilidade de a UE avancar com "legislação relevante".

O presidente do Conselho Europeu garantiu ainda que, até ao final do ano, estará concluído um novo sistema de partilha de informações entre os serviços fronteiriços para melhor controlar a eventual entrada de terroristas estrangeiros.

(Notícia actualizada às 18h40)



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