Mundo UE/África: Energia deve estar no centro da cooperação, defende investigador do Bruegel

UE/África: Energia deve estar no centro da cooperação, defende investigador do Bruegel

A energia deve ocupar um papel central na cooperação entre União Europeia e África, pois o continente africano só se desenvolverá quando a África subsaariana tiver um acesso amplo à electricidade, defende um investigador do Bruegel.
UE/África: Energia deve estar no centro da cooperação, defende investigador do Bruegel
Bloomberg
Lusa 26 de novembro de 2017 às 10:45

Em declarações à Lusa, em vésperas da 5.ª cimeira UE-África, Simone Tagliapietra, analista do Bruegel, um dos mais conceituados ´think tanks´ (grupos de reflexão) de Bruxelas, especializado em assuntos económicos, considera que os continentes europeu e africano devem aproveitar na reunião de Abidjan de 29 e 30 de Novembro a boa dinâmica actual em matéria de sensibilização para a necessidade de cooperação energética.

 

"Esta cimeira UE-África tem lugar depois das reuniões deste ano do G7 (em Maio, em Itália) e do G20 (em Julho, na Alemanha), que puseram um grande ênfase em África e nas relações energéticas. Era bom que a reunião de Abidjan se baseasse nestas duas experiências recentes para fazer avançar o que já foi discutido", defendeu o investigador.

 

Apontando que a estratégia da União Europeia para África assenta em potenciar o desenvolvimento do continente africano, não só no interesse dos africanos mas também no seu próprio interesse, "pois a única forma de os fluxos migratórios deixarem de ser um problema estrutural é através do desenvolvimento de África", este analista sublinha que tal passa acima de tudo por um investimento da UE que ajude África a ter uma verdadeira rede de energias limpas.

 

"Sem electricidade não há desenvolvimento económico ou social", adverte, apontando que é isso que se passa em pleno século XXI na África subsaariana (já que o cenário é diferente no Magrebe, pois os países do norte do continente estão totalmente electrificados e estão a apostar nas energias renováveis, até como forma de potenciar as suas exportações para a Europa.

 

Na África subsaariana, todavia, "duas em cada três pessoas não têm acesso a electricidade" e cada ano há cerca de 600 mil mortes prematuras causadas por poluição do ar em locais fechados resultante da utilização de combustíveis poluentes para a iluminação e cozinha, aponta.

 

Dada a magnitude deste problema, que constitui um verdadeiro entrave ao desenvolvimento económico e social de África no seu todo, é necessário um esforço conjunto que envolva os países da África subsaariana e investidores internacionais, públicos e privados, sustenta Tagliapietra, que reconhece todavia ser necessário proporcionar um ambiente que atraia investidores estrangeiros.

 

"Claro que é necessária estabilidade política e um quadro legal transparente. A corrupção, a falta de um quadro regulador energético e as distorções de mercado são entraves e são problemas que só podem ser resolvidos pelos governos africanos. Se não o fizerem, o investimento não pode chegar", diz.

 

Quanto à UE, aconselha-a a ser mais activa e coordenada, até porque é esse o caso dos Estados Unidos e da China, que coordenam os respectivos esforços de investimento em África "de uma forma muito mais coerente".

 

"As instituições europeias deviam fazer mais para coordenar a acção da UE neste campo, porque há várias ferramentas financeiras paralelas, temos muitas iniciativas e ainda há as diversas políticas bilaterais dos Estados-membros, pelo que é tudo muito fragmentado. Podemos fazer melhor na coordenação", sustenta, considerando que a cimeira de Abidjan é uma excelente oportunidade para avançar nesta matéria.




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