Américas Um ano após chegar à Presidência no Brasil, Michel Temer continua impopular

Um ano após chegar à Presidência no Brasil, Michel Temer continua impopular

O Presidente do Brasil, Michel Temer, completa sexta-feira um ano à frente do Governo da mesma forma como entrou: impopular, assombrado por escândalos de corrupção e por uma grave crise económica.
Um ano após chegar à Presidência no Brasil, Michel Temer continua impopular
REUTERS/Ueslei Marcelino
Lusa 11 de maio de 2017 às 07:21
Uma sondagem do instituto Datafolha, divulgada no final de Abril, mostrou que Michel Temer é avaliado como "ruim" ou "péssimo" por 61% dos brasileiros, considerado "regular" por 28% e apoiado sem reservas por apenas 9%.

O sociólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Rafael Araújo, explicou à Lusa que a ascensão e manutenção de Michel Temer - um político que nunca foi eleito para nenhum cargo executivo pelo voto - no posto mais importante da República brasileira é fruto da vitória de um projecto político.

"Michel Temer não precisa de popularidade. Ele surgiu de um consenso parlamentar de representantes da elite económica e se mantém exclusivamente por conta disto. Alguém tinha que fazer o serviço sujo das reformas defendidas por esta elite. Ele aceitou fazer e tivemos o 'impeachment' [destituição] da [Presidente] Dilma Rousseff", afirmou o professor da PUC-SP.

"Com as denúncias de corrupção, Michel Temer está enfraquecido, mas isto não faz a menor diferença para o Governo porque ele já disse que não tem pretensões eleitorais", completou.

Designado Presidente depois de Dilma Rousseff ser condenada por crimes fiscais, Michel Temer e os seus principais aliados foram recentemente citados por delatores da construtora Odebrecht como receptores de subornos nas investigações dos crimes na Petrobras e em outros órgãos públicos.

Estas denúncias, porém, não abalaram a governabilidade e o Presidente brasileiro avança com um amplo conjunto de reformas polémicas como a redução dos gastos públicos, mudanças no sistema de pensões e das leis laborais, propostas amplamente rejeitadas pela população.

Quando foram avaliadas as reformas propostas pelo Governo, a mesma sondagem da Datafolha sobre a popularidade do Presidente indicou que sete em cada dez brasileiros (71%) são contra mudanças no sistema de pagamento de pensões.

Já as alterações da legislação laboral foram consideradas mais benéficas para os empresários do que para os trabalhadores por 64% dos entrevistados.

Este dado comprova a percepção dos brasileiros de que o projecto do Governo não os favorece.

Na análise do professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Marcus Vinicius de Freitas, as impressões negativas sobre o Governo brasileiro não se restringem as fronteiras do país.

"O Governo [de Michel Temer] ficou com as vestes de golpista porque não soube se comunicar e cometeu um equívoco enorme ao nomear ministros envolvidos com denúncias de corrupção", considerou.

"Ele [Michel Temer] não soube comunicar ao mundo que o Congresso do Brasil sempre teve um DNA parlamentarista. Assim, o discurso propagado pela esquerda brasileira fixou a imagem de que houve um 'golpe' em grande parte do mundo, mesmo que isto não seja verdade", concluiu.



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comentários mais recentes
CORRUPTO !!!!! 11.05.2017

Os politicos da direita sempre foram corruptos. Isso já vem desde os tempos da ditadura.Só que agora não se contentam com milhares. Agora são às centenas de milhões para cada um. E o Temer tambem está acusado de ter recebido mais de 300 milhões pelos eternos jeitinhos brasileiros.

Anónimo 11.05.2017

Isto de pegar num pais completamente rebentado pelos "milagres" socialistas não é pera fácil. Onde é que eu já vi isto?

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