Economia Uma em cada cinco crianças institucionalizadas em 2016 estava em perigo de vida

Uma em cada cinco crianças institucionalizadas em 2016 estava em perigo de vida

Uma em cada cinco crianças que entraram no sistema de acolhimento em 2016 exigiu "protecção imediata", por a sua vida estar em perigo, segundo um relatório do Instituto da Segurança Social (ISS) divulgado esta sexta-feira.
Uma em cada cinco crianças institucionalizadas em 2016 estava em perigo de vida
Lusa 28 de julho de 2017 às 00:36

Das 2.396 crianças e jovens entradas no sistema de acolhimento em 2016, 485 (20,2%) exigiram um "procedimento de urgência", mais 2,3% face ao ano anterior, revela o Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens CASA 2016,

 

O procedimento de urgência, que ocorre "quando exista perigo actual ou iminente para a vida ou de grave comprometimento da integridade física ou psíquica da criança ou jovem", deverá "obrigar todos os interventores a atenções reforçadas" devido ao impacto que pode ter na vida das crianças e jovens.

 

"Uma incorrecta actuação poderá causar danos psicológicos, pelo que o procedimento deverá ser o menos lesivo possível, executado por profissionais e estruturas devidamente habilitadas e sensibilizadas para a situação de crise vivida pela criança e jovem", defende o relatório.

 

Destas 485 crianças, 178 estavam ao cuidado da família nuclear, disse uma técnica do ISS num encontro com jornalistas no Ministério da Segurança Social.

 

Sobre os motivos que levaram à sua retirada, a técnica adiantou que são "situações limites", como abuso sexual, violação, agressões, que exigem uma intervenção "a qualquer hora do dia ou da noite".

 

A medida mais aplicada antes do procedimento de urgência foi o apoio junto dos pais (77%), e as menos aplicadas o apoio junto de outro familiar (21,2%) e de confiança a pessoa idónea (1,8%).

 

Relativamente aos motivos que originaram a abertura dos processos de promoção e protecção às crianças, o documento refere as diversas formas de negligência (72%), os maus-tratos psicológicos (8,5%), os maus-tratos físicos (3,4%) e os abusos sexuais (2,8%).

 

Outro destaque do documento vai para o aumento da definição dos projectos de vida das crianças e jovens, situando-se nos 90,6%. O principal projecto de vida definido foi a "autonomização" (36,3%), seguido da reintegração na família (36%) e da adopção (11,2%).

 

Segundo o CASA, das 48 crianças adoptadas, 19 reentraram no sistema em 2016, voltando a ser vítimas de situações de perigo na família adoptiva.

 

Também 34 crianças integradas no seio de famílias candidatas à sua adopção tiveram que reentrar no sistema durante o período de pré-adopção.

 

Os autores do CASA consideram que "os apoios aos jovens que cessam acolhimento com projecto de vida de autonomização não poderão restringir-se aos apoios comuns da acção social".

 

"Nenhum jovem oriundo de população não acolhida se torna autónomo aos 21 anos, pelo que estes jovens, pelas circunstâncias em que viveram e em que vivem (maioritariamente sozinhos) dificilmente possuem capacidade para uma autonomização plena aos 21 anos", advertem, defendendo a "melhoria contínua" da intervenção.

 

Traçando o perfil e características das crianças e jovens que deixaram o acolhimento, o relatório refere que a grande maioria tinha mais de 15 anos e 34% estavam identificados como tendo problemas de comportamento, o que "suscita apreensão quanto ao seu futuro e contornos da sua inserção social".

 

Apesar de uma percentagem considerável dos jovens ter como projecto de vida a autonomização, "a verdade" é que cerca de metade reintegra a família e apenas 15,7% assumem uma vida independente.




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