Ambiente União Europeia e China unem forças à espera de saída dos EUA do Acordo de Paris

União Europeia e China unem forças à espera de saída dos EUA do Acordo de Paris

Dois dos três maiores blocos poluidores preparam-se para a possibilidade de saída de Washington do Acordo de Paris, avança o Financial Times. E prometem reforçar a cooperação.
União Europeia e China unem forças à espera de saída dos EUA do Acordo de Paris
Reuters
Paulo Zacarias Gomes 31 de maio de 2017 às 15:33
Caso os Estados Unidos decidam desvincular-se do Acordo de Paris - como foi esta quarta-feira noticiado por vários meios internacionais -, os outros dois maiores emissores de gases de efeitos de estufa, China e União Europeia, já têm em curso um reforço da sua cooperação para não deixar cair o desígnio de combate às alterações climáticas.

A aproximação dos dois blocos é noticiada esta quarta-feira, 31 de Maio, pelo Financial Times, que cita documentos que comprovam que Bruxelas e Pequim acordaram em acelerar a estratégia de afastamento dos combustíveis fósseis e garantir o sucesso do acordo para o clima assinado em 2015.

O produto desta colaboração será tornado público na próxima sexta-feira, na cimeira dos líderes europeus com o primeiro-ministro chinês Li Keqiang, acrescenta o periódico. O comunicado conjunto que está a ser trabalhado para distribuição no final do encontro refere que ambos os lados estão "determinados" em avançar com medidas que concretizem a "transição energética."

O anunciado compromisso entre os dois blocos económicos é tornado público poucas horas depois de fontes da Casa Branca darem como certa uma decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA do tratado do Acordo de Paris. Há duas vias para tal - a saída do acordo, que durará três anos, ou o afastamento em relação à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que suporta o Acordo, um caminho mais extremo mas mais rápido. 

O presidente tinha prometido para esta semana uma decisão, depois de na reunião do G7 os EUA não terem subscrito o ponto do comunicado das economias mais desenvolvidas do mundo sobre as preocupações com as alterações climáticas. As horas seguintes ao final do encontro ficaram ainda marcadas por declarações da chanceler alemã Angela Merkel, que sugeriu que a União Europeia não podia continuar a depender inteiramente de aliados como o Reino Unido ou os Estados Unidos.

Entre os pontos de união agora noticiados pelo FT entre o Velho Continente e a China está o incentivo que Bruxelas acordou dar a Pequim - 10 milhões de euros - para ajudar ao desenvolvimento de um mercado de carbono naquele país asiático, além da ajuda conjunta que prometem dar a países subdesenvolvidos para o desenvolvimento de economias mais verdes. O plano de colaboração estende-se ao desenvolvimento de carros eléctricos, eficiência energética e investigação.

Um anúncio de maior cooperação que se segue também às declarações de ontem do secretário-geral das Nações Unidas. António Guterres, embora sem se referir às reservas de Donald Trump quanto às alterações climáticas, afirmou que "se um governo coloca em causa a vontade e a necessidade mundiais quanto ao que respeita a este acordo, é uma razão para todos os outros se unirem ainda mais".



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mais votado Anónimo 31.05.2017

Os EUA estão rápidamente a tornarem-se os máus da fita. E em várias modalidades.

comentários mais recentes
Anónimo 31.05.2017

A Europa deve seguir o eu caminho e incluir nessa caminhada todos os países que se preocupam com a problemática das alterações climáticas. Não nos podemos esquecer que o presidente dos EUA mais cedo ou mais tarde será substituído e outro virá e dará razão e sustentabilidade ao acordo de Paris.

Pricemt 31.05.2017

China os nossos futuros novos aliados

Anónimo 31.05.2017

Na 2a Guerra Mundial os Estados Unidos bombardearam o Japão com a justificação de que tal acção visava salvar milhares de vidas. Chegou a altura de alguém enfiar uma qualquer bomba atómica pelo ASS do donald trump acima, de modo a SALVAR O PLANETA.

PUNITOR 31.05.2017

Talvez o mundo precise mesmo desta postura ridícula dos EUA para tomar uma decisão firme em relação às energias limpas

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