Economia Vaticano contesta eliminação de feriados religiosos

Vaticano contesta eliminação de feriados religiosos

Um enviado do papa a Lisboa afirmou que não se podem deitar fora celebrações essenciais.
Negócios 17 de Abril de 2012 às 22:05
O Vaticano manifesta fortes reservas à eliminação dos feriados religiosos em Portugal. À TSF, um enviado do papa a Lisboa, Monsenhor Fábio Fabbri, disse que não se podem deitar fora celebrações essenciais.

“São duas datas muito particulares. O 1 de Novembro é a festa de Todos os Santos, a festa da comunidade, da família. Não se pode deitar fora esta festa. O 15 de agosto é a Assunção da Virgem Maria, que é o destino de todos nós, de certa forma. Porque é que se atacaria esta celebração?”, questionou.

A Igreja Católica Portuguesa disse que aceitava abolir dois feriados se o Governo renunciasse também a dois feriados civis. O Executivo de Passos Coelho anulou os feriados de 5 de Outubro e o 1 de Dezembro e espera "luz verde" do Vaticano para a eliminação do 15 de agosto e 1 de Novembro.

Fábio Fabbri pronunciou-se também sobre o feriado móvel do Corpo de Deus, afirmando que em Itália foi tomada uma medida idêntica - passar a celebração para o domingo.

No entanto, o enviado do papa a Lisboa disse à TSF considerar no mínimo estranho que, em nome da produtividade, se alterem datas carregadas de simbolismo.

"Isto aconteceu também em Itália. Trocou-se a celebração de quinta-feira para domingo. Tudo bem. A Igreja é mãe e aceita dos filhos pedidos estranhos. A mãe diz sempre que sim, mesmo quando percebe que lhe "estão a roubar a marmelada' finge que não vê. Depois, o tempo dirá”, considerou.

As declarações do prelado à TSF surgem depois de, em Março, o jornal Público ter noticiado que a Santa Sé já teria comunicado ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a sua preferência no sentido de cair o feriado de 01 de Novembro.

Na altura, o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, padre Manuel Morujão, disse à agência Lusa que o Vaticano estava "a ponderar a solução melhor", uma vez que existiam "razões válidas dos dois lados, tanto dos que defendem o 01 de Novembro como de quem defende o 15 de Agosto".




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comentários mais recentes
paz paz 18.04.2012

Palavras sabias:
Perdoa-lhes que não sabem o que fazem, ou melhor, perdoa-nos que não sabemos o que constantemente fazemos.

Bodas 18.04.2012

Aceito o s/ponto de vista, mas discordo no essencial. Não acho sinceramente que seja o factor fulcral para a produtividade, quando vejo outros problemas tão sérios pela frente e que não estão a ter a devida atenção. Parece-me muito claramente que o grosso das medidas está o focar-se quase em exclusivo sobre quem efectivamente trabalha, quando os incentivos a quem não trabalha, e a economia paralela contínuam com uma força desmesurada. Por isso sim, estou ligeiramente cansado de me subirem a luz, subirem a água, o IMI, os impostos, salários congelados, FERIADOS DIMINUíDOS, tudo em proveito da austeridade, e como consequência ter pouco dinheiro ao fim do mês, para consumir seja o que for, e atrofiando aí sim, ainda mais a nossa economia.

Em resumo, este ponto não me parece de todo fulcral, ainda mais porque vai continuar a existir greves e pontes, que eu naturalmente aí não irei/poderei usufruir

LO2006 18.04.2012

Acho muito bem que a Igreja pague impostos.

Mas não se esqueçam dos considerandos abaixo:

Que impostos paga o Estado português? A Igreja actua em muitas frente de solidariedade que o Estado se afasta.

Salvador Costa 18.04.2012

1- Uma das situações mais graves e absurdas da crise grega, é a posição da Igreja, a maior proprietária do país e com lucrativos investimentos em diversos setores da economia, desde o turismo à construção civil, recusar pagar impostos. 2- O assunto tem sido divulgado na emprensa. Em contrapartida, como argumento para não perder privilégios e riqueza, a Igreja grega alega que distribui diariamente umas centenas de refeições aos pobres.3- A questão põe-se igualmente em Portugal. Qual é o regime fiscal aplicado à Igreja Católica e outras religiões em Portugal? Quem controla os rendimentods da Igreja Católica e qual o regime fiscal das "comissões fabriqueiras" que são, na prática, empresas locais da igreja? É fácil construir creches e centros de dia com dinheiros do QREN e dos contribuintes. Ou através de donatórios publicos. Falta apurar com rigor e isenção a situação tributária da Igreja Católica em Portugal. Ou se é uma das excepções ao contributo coletivo, como acontece com a Igreja grega.Era importante este ponto ser devidamente esclarecido no Parlamento português. E não só a questão dos feriados.

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