Política Verdes questionam Governo sobre alegado assédio laboral na CGD

Verdes questionam Governo sobre alegado assédio laboral na CGD

José Luís Ferreira quer saber se Mário Centeno vai actuar contra aquilo que acredita ser "coacção" exercida pela CGD para a redução do quadro de pessoal.
Verdes questionam Governo sobre alegado assédio laboral na CGD
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 14 de novembro de 2017 às 14:41

O partido Os Verdes, que participa na solução parlamentar que sustenta o Governo, acredita que esteja a haver assédio laboral na Caixa Geral de Depósitos, como modo de cumprir as exigências de redução de pessoal acordadas com a Comissão Europeia.

 

O deputado José Luís Ferreira enviou ao Ministério das Finanças uma pergunta em que tenta perceber pormenores sobre o "possível assédio e coacção que os trabalhadores da CGD sofrem com vista ao seu afastamento da empresa, de modo a que se cumpra o plano acordado entre a CGD e Bruxelas que prevê a saída de 500 trabalhadores/ano até 2020".

 

"Confirma o Governo a existência de listagens de trabalhadores para serem despedidos na CGD, contrariando o que devia ser uma saída amigável e voluntária?", escreve o deputado da força política, na missiva endereçada a Mário Centeno. Segundo Os Verdes, está em cima da mesa uma listagem dos trabalhadores com que a gestão de Paulo Macedo pretende cortar o vínculo. Em Julho, o Sindicato dos Bancários do Norte, que pertence à Febase, já tinha alertado para a existência de listagem de pessoal a rescindir, defendendo que não poderia haver pressão na saída de funcionários.

 

Existindo tal listagem, o partido pretende saber "que medidas vão ser tomadas pelo accionista para travar esta prática ilegal?". A CGD é detida, a 100%, pelo Estado português. Contactado pelo Negócios, o banco público não quis responder. 

 

Os Verdes, um dos quatro partidos que assinou acordos de incidência parlamentar para sustentar o Executivo de António Costa, querem também saber se a Autoridade para as Condições do Trabalho analisou, ao longo do último ano, o que se tem passado, a nível laboral, na instituição financeira.


Para receber a capitalização estatal de 3,9 mil milhões de euros, a CGD teve de submeter-se a um plano de reestruturação que passa, entre outras vertentes, por uma redução do quadro de pessoal. A intenção é chegar, até 2020, a um corte de 2.200 trabalhadores (menos de 6.650 funcionários), sendo que, ao longo de 2017, tem já sido concretizado o emagrecimento. Este ano, estiveram a decorrer processos de pré-reformas e de rescisões por mútuo acordo, através do qual a gestão acredita conseguir cumprir os objectivos acordados entre Lisboa e Bruxelas.

 

O banco acredita que não terá custos adicionais com o emagrecimento da estrutura para além daqueles que já reconheceu nos primeiros nove meses do ano.


(Notícia actualizada às 17:07 com indicação de que a CGD não quis comentar a pergunta d'Os Verdes)




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