Economia Viagem para o trabalho demora quase meia hora nas zonas de Lisboa e Porto

Viagem para o trabalho demora quase meia hora nas zonas de Lisboa e Porto

O automóvel continua a ser o principal meio de transporte nas duas áreas metropolitanas. Metade dos lisboetas e portuenses não pegam no carro, mas é para chegar ao emprego na Invicta e na capital que mais se demora.
Viagem para o trabalho demora quase meia hora nas zonas de Lisboa e Porto
A ponte do Freixo e a ferrovia em Campanhã são dois dos principais pontos de acesso à cidade do Porto.
Paulo Duarte
António Larguesa 02 de julho de 2018 às 15:21

Os mais de quatro milhões de residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa (AML) e do Porto (AMP) perdem quase meia hora por dia em deslocações por motivo de trabalho, de acordo com os resultados provisórios do inquérito à mobilidade feito pelo Instituto Nacional de Estatística, publicados esta segunda-feira, 2 de Julho.

 

A Norte, a duração média das movimentações para o trabalho ascende a 23,6 minutos para percorrer 12,6 quilómetros diários, enquanto na região lisboeta estes valores sobem para 28,9 minutos e 13,1 quilómetros. Excluindo a limítrofe Arouca, que surge por motivos geográficos, é para chegar à Invicta (24,3 minutos) e à capital (29,3 minutos) que os trabalhadores destas zonas mais demoram, mesmo não sendo os destinos que obrigam a percorrer as maiores distâncias.

 

Segundo este estudo realizado junto de cem mil pessoas no último trimestre de 2017, cerca de 85% dos residentes nestas duas áreas metropolitanas realizam pelo menos uma viagem nos dias úteis, com a estimativa do número de deslocações diárias a ascender a 5,4 milhões na AML (2,6 deslocações por residente) e a 3,4 milhões na AMP, onde a média sobe para 2,72 deslocações por dia. Quase um terço destas movimentações têm o trabalho como motivo.

 

Na AMP, 38,4% das deslocações de trabalho têm a cidade do Porto como destino e origem nos municípios contíguos de Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Gondomar e Maia. Também a Sul, metade dessas movimentações por motivos laborais convergem para Lisboa, provenientes sobretudo dos concelhos de Sintra, Loures, Amadora e Odivelas. Ainda assim, na AMP e na AML, respectivamente, cerca de 50% e 60% destas deslocações são intramunicipais, isto é, têm como origem e destino o mesmo município metropolitano.

 

Independentemente do motivo pelo qual as pessoas se movimentam nestas duas regiões, que concentram 44% da população residente em Portugal, o INE destaca ainda os três únicos municípios em que o número de entradas acaba por superar mesmo o número de pessoas que ali residem: Porto (126 por cada 100 habitantes), São João da Madeira (116) e Lisboa (110). Com valores superiores a 70 entradas por 100 habitantes surgem Oeiras, Alcochete, Amadora, Palmela, Loures e Odivelas.

 

Azeméis, Feira e Mafra: reis do automóvel

 

Nas deslocações de segunda a sexta-feira, o automóvel continua a ser o principal meio de transporte para os residentes nas duas áreas metropolitanas, embora a percentagem seja superior na AMP (65% do total) do que na AML (56%). Cerca de uma em cada cinco pessoas opta por "modos suaves" (a pé ou bicicleta) nas suas deslocações, mesmo durante a semana. E só nas "deslocações para estabelecimento de ensino" é que o transporte individual motorizado não é maioritário: 32% no Porto e 28% em Lisboa usa os transportes públicos para chegar às escolas.

 

"No âmbito do transporte público/colectivo, o autocarro foi primordial para os residentes na AMP, ao corresponder a 61% daquele segmento, enquanto para os residentes na AML a sua expressão entre a totalidade de transporte público/colectivo se situou em 49,6%, reflectindo a oferta mais diversificada de transporte ferroviário (ligeiro e pesado) e fluvial (rios Tejo e Sado), em função da diferença de geografia", compara o destaque do INE.

 

Estes inquéritos mostram ainda que na AML são os munícipes de Lisboa (22,2%) e Odivelas (19,4%) que mais utilizam os transportes públicos, e que na AMP se destacam neste particular os moradores do Porto (18,5%) e de Gondomar (16,8%). Enquanto lisboetas e portuenses são os que menos pegam no carro (46% e 49%, respectivamente), no outro extremo da dependência do automóvel surgem os residentes em Oliveira de Azeméis (86% do total), Santa Maria da Feira (84%), Mafra (79%), Santo Tirso (77%), Vale de Cambra (76%), Arouca (75%), Sesimbra (73%) e Cascais (72%) e Palmela (70%).

 

Crítica ao acesso por deficientes nos transportes

 

Rapidez, conforto e rede de transportes públicos sem ligação directa ao destino são os três argumentos cimeiros apresentados pela maioria que utiliza meios individuais para se deslocar. E até podiam ser mais a pegar todos os dias no carro, a avaliar pelas duas principais justificações dadas por quem utiliza efectivamente os transportes públicos – as queixas aumentaram 20% em 2017 – tanto na região do Porto como de Lisboa: não conduzirem ou não terem automóvel; e a ausência de alternativa.

 

Na avaliação dos transportes públicos, os residentes nas duas áreas metropolitanas valorizaram sobretudo a proximidade à rede e às paragens. Segurança e facilidade de transbordo foram realçadas pela positiva na AMP, enquanto na AML, além desta última, foi destacada a rapidez. Por outro lado, os residentes a Norte assinalaram a vermelho o "preço/custo do transporte público" e o "acesso por pessoas portadoras de deficiência", tendo esta última rubrica sido também criticada na zona de Lisboa, a par da "lotação" nos serviços de transporte.




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