União Europeia Vice-presidente da Comissão considera que o "projecto europeu pode fracassar"

Vice-presidente da Comissão considera que o "projecto europeu pode fracassar"

Frans Timmermans afirma que "pela primeira vez em 30 anos eu verdadeiramente acredito que o projecto europeu pode fracassar". Para o vice-presidente da Comissão Europeia a Europa precisa lutar para se manter unida.
Vice-presidente da Comissão considera que o "projecto europeu pode fracassar"
Reuters
David Santiago 08 de Novembro de 2016 às 20:17

O tom demonstrado por Frans Timmermans numa entrevista ao EurActive, publicada na passada segunda-feira, é bastante pessimista quanto às ameaças que pendem sobre a União Europeia. Em declarações prestadas a este site noticioso especializado em questões europeias, o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia assumiu que que "pela primeira vez em 30 anos eu verdadeiramente acredito que o projecto europeu pode fracassar".

 

O também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Holanda lembra que a UE "não é eterna, temos de lutar para continuar a viver juntos", notando que o projecto europeu caiu "na armadilha da identidade política". E avisa que se o mote da construção europeia assentar na "identidade nacional, cultural ou étnica, então não iremos sobreviver".


Recordando as ameaças ao projecto europeu decorrentes das crises migratória e dos refugiados, bem como o ressurgimento de valores nacionalistas, o número dois da Comissão Juncker criticou Londres que sempre "olhou para a Europa enquanto um mercado, nada mais".

 

Isto sem esquecer a diferente forma como a Europa de Leste olha para a UE, com Timmermans a apontar o dedo à Hungria e a Polónia, "países que falam dos valores cristão como forma de reinventar a era dourada do passado", o que o dirigente europeu recorda ser também "uma táctica da extrema-direita".  

 

Nesta entrevista que serviu também para abordar o livro lançado em língua francesa por Timmermans ("Fraternité"), o político holandês afirmou ainda que os "vínculos da nossa sociedade partiram-se", o que entre outras coisas contribui para que "os jovens sejam seduzidos pela extrema-direita", algo que acontece quando os mais jovens não se identificam com um "sonho comum". "Falhámos na nossa missão de educar os nossos cidadãos e os jovens estão a radicalizar-se", lamentou.

 

Timmermans identificou ainda como missões cruciais para o futuro próximo da UE a aposta na "educação e na integração", bem como salvaguardar a saúde da classe média. Isto porque o vice-presidente da Comissão sustenta que existe "um problema sério com o nosso contrato social", o que fez com que o "elevador social tenha parado de subir e começado a descer".

 

Timmermans diz que não está na política por dinheiro como Durão Barroso


Frans Timmermans também se referiu à polémica contratação do ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, como administrador não-executivo do Goldmn Sachs International. "Jean-Claude Juncker (presidente da Comissão) e eu somos muito penalizados" por essa contratação.

 

"Acham que estamos na política apenas por dinheiro", questionou Timmermans antes de deixar uma outra pergunta retórica: "Como pode alguém que presidiu à Comissão Europeia fazer tal coisa, depois de saber o que o Goldman Sachs fez", numa clara alusão ao papel que o banco norte-americano teve no maquilhar das contas públicas da Grécia, antes ainda do primeiro resgate concedido a Atenas.

 

"Na política o exemplo é tudo. Quer falar sobre valores? Então é preciso agir apropriadamente. Seja digno da sua posição", atirou.

 

Esta terça-feira, 8 de Novembro, questionado no Web Summit sobre a saída da Comissão para o banco norte-americano, Durão Barroso defendeu que a severidade com que foi tratado por esta decisão demonstra "a atitude negativa" que a Europa ainda tem "face às instituições financeiras e americanas".

 




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comentários mais recentes
5640533 Há 3 semanas

Com os políticos que tem a UE está condenada. Pena.

Elisângela Faria Há 3 semanas

Pergunto-me o que é que este sr. fez para que o projecto europeu tivesse outro rumo, afinal é Vice-Presidente da Comissão e com certeza já foi comissário. Ficaram todos "sentados" em cima de um projecto inacabado. Usufruindo de bons salários, bons carros e boas vidas para no fim chegarem a esta miserável conclusão.

José Pereira Há 3 semanas

A desagregação da UE já começou! E só um parvo é que não vê.

Pedro Pereira Há 3 semanas

A Nação portuguesa, é das mais antigas da Europa, nunca precisou da Europa para nada.Se eu fosse decisor nunca teríamos entrado na antiga CEE.A população portuguesa ter sido muito prejudicada.

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