Economia Voluntário recusado pelos bombeiros ajuda a salvar do fogo dezenas de casas em Mação

Voluntário recusado pelos bombeiros ajuda a salvar do fogo dezenas de casas em Mação

Um desempregado que os bombeiros não aceitaram como voluntário, ajudou nos últimos dias a salvar, com um kit cedido pela Câmara de Mação, dezenas de casas no concelho que desde terça-feira à noite está a ser fustigado pelo fogo.
Voluntário recusado pelos bombeiros ajuda a salvar do fogo dezenas de casas em Mação
Augusto Filipe, de 53 anos, desempregado, que quis em tempos ser bombeiro, foi recusado pelos voluntários de Mação mas tem sido um dos mais activos no combate às chamas neste concelho.
Reuters
Lusa 19 de agosto de 2017 às 18:24

Augusto Filipe, de 53 anos, quis em tempos ser bombeiro mas viu recusados os préstimos oferecidos aos voluntários de Mação porque "disseram que morava longe e que quando a sirene tocasse ia demorar muito tempo a chegar", contou este sábado à agência Lusa.

 

À época, a longínqua morada era em Aboboreira, freguesia onde na noite de terça-feira deflagrou um incêndio que já consumiu mais de 80% da área florestal do concelho de Mação.

 

E foi para lá que, "assim que soube do fogo", Augusto foi com um kit, ou seja um depósito com cerca de 700 litros de água e uma mangueira, que permite aos moradores das aldeias mais isoladas atacar as chamas até à chegada dos bombeiros.

 

Os kit´s foram distribuídos pela Câmara de Mação a todas as juntas de freguesia do concelho e o da Aboboreira há vários anos que é entregue a Augusto Filipe que, sem farda e sem estatuto de bombeiro, faz por conta própria o trabalho de um voluntário.

 

Ao 'kit' da junta juntou mais um que pagou do seu bolso para "ter mais capacidade de acudir às pessoas", como tem feitos nas últimas semanas, acorrendo a várias localidades da região onde as chamas se aproximaram das povoações.

 

Desde quarta-feira já ajudou a salvar "dezenas e dezenas de casas" em Casalinhos, Penhascoso, Monte Penedo, Serra, Entre Serras, Ribeira de Boas Eiras, Lercas, Ortigas, de cujos nomes o cansaço dificulta a lembrança.

 

Em Queixoperra, onde vive agora, "se não fosse o kit tinha ardido uma casa toda", contou à Lusa, recordando o momento em que "até as mangueiras arderam e os bombeiros tiveram que fugir" das chamas "com mais de 20 metros de altura".

 

Mas o pior de todos os cenários encontrou-o na sexta-feira, quando cerca das 20 horas "se gerou um horror no Parque de Campismo de Ortiga, com mais de 50 tendas em risco de ficarem queimadas ou derreterem com as altas temperaturas".

 

É também "por alto" que vai fazendo as contas aos "90 euros que já gastou em gasóleo para a carrinha" que leva o kit de terra em terra, ou aos "40 litros de gasolina para a moto-bomba" que puxa a água com que vai abastecendo o depósito, "nos furos por onda vamos passando, nos autotanque dos bombeiros, ou onde calha".

 

"Se calhar, a Câmara depois paga essas despesas", mas para já, Augusto Filipe ainda não viu "um tostão" para compensar o que já investiu a tentar garantir a segurança das populações do concelho.

 

Nada que o demova de continuar, garantiu à Lusa, durante uma pausa para um café no Centro Recreativo de Queixoperra.

 

"Tenho a carrinha preparada com o Kit e, se vir o vento a levantar ou começar a ver alguma coluna de fumo é só mudar de roupa e seguir para onde houver fogo", rematou.

 

O incêndio que deflagrou no concelho de Mação, distrito de Santarém, às 0:01 de quarta-feira mantinha-se às 16:30 de hoje, segundo a página na Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil com Uma frente activa que está ser combatida por 806 operacionais, apoiados por 232 meios terrestres e 3 meios aéreos.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

Já lá "vai" o tempo em que havia helicópteros até de sobra, onde se entretinham a passear os amigos, como foi o noticiado em Vila Real.

Anónimo Há 4 semanas

Há uns largos anos atrás numa conversa amena com um oficial da GNR de província , dizia ele que mais da metade dos fogos eram produto de fogo posto por bombeiros ...fiquei de boca aberta.

General Ciresp Há 4 semanas

Diz o ditado:gato escaldado de agua fria tem medo.A gerigonca ainda esta escaldada de tanto precario(voluntario).

Anónimo Há 1 hora

E, não me admira nada. Há mais de 40 anos tentei ser sócio dos BVA (Alverca do Ribatejo) e nunca consegui, apesar de ter submetido 2 propostas com o parecer favorável de reputados profissionais da instituição. Aconteceu isto antes da fuga de amoníaco nos Nitratos de Portugal. E, mais não digo pois dos intervenientes apenas eu estou vivo.

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