Política Monetária BCE subir juros em meados de 2019 é "realista"

BCE subir juros em meados de 2019 é "realista"

O presidente do Bundesbank defende que o programa de compra de activos do BCE pode terminar já este ano.
BCE subir juros em meados de 2019 é "realista"
Bloomberg
Nuno Carregueiro 17 de janeiro de 2018 às 08:19

Jens Weidmann, presidente do Bundesbank e apontado como um dos potenciais sucessores de Mario Draghi à frente do Banco Central Europeu, diz que as expectativas dos analistas que apontam para o início do ciclo de subida de juros na Zona Euro em meados do próximo ano são "realistas".

 

"Essas espectativas parecem alinhadas com as orientações actuais do conselho de governadores, que diz que as taxas de juro só vão subir bem depois do fim do programa de compra de activos", afirmou Jens Weidmann em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, que está a ser citada pela Bloomberg.

 

A especulação sobre uma alteração mais rápida da política monetária do BCE intensificou-se nos últimos dias, depois de terem sido reveladas as minutas da última reunião do banco central, pois os responsáveis do BCE admitiam que a evolução positiva da economia poderia justificar uma alteração mais célere na comunicação ao mercado de retirada de estímulos.

 

Esta expectativa resultou numa valorização do euro para máximos de Dezembro de 2014, embora a moeda europeia tenha ontem corrigido, depois da Reuters ter avançado que esta alteração na política monetária do BCE não vai acontecer tão cedo.

 

Dentro do BCE parece haver visões distintas sobre o rumo da política monetária. O francês Francois Villeroy expressou preocupação com a valorização do euro, enquanto Ardo Hansson, da Estónia, defendeu que o BCE deveria mudar a orientação que dá ao mercado antes do Verão e colocar um ponto final no programa de compra de activos já em Setembro. A próxima reunião do BCE está agendada para 25 de Janeiro.

 

Weidman também defende o fim do programa de compra de activos, sobretudo se a inflação der sinais de se aproximar da meta dos 2%. "Se continuarem os desenvolvimentos positivos, será lógico não efectuar compras substanciais de activos para lá do que já está acordado".

 

Questionado se defende o fim do programa já em 2018, o presidente do Bundesbank respondeu que parece "apropriado tendo em conta a perspectiva actual e é isso que está já descontado no mercado de capitais". Contudo, alertou que "regra geral não faço perspectivas para as decisões do conselho do BCE".

 

As previsões dos economistas apontam para uma taxa de inflação de 1,5% este ano e 1,9% em 2019, pelo que não antecipam uma subida da taxa de juro de referência do BCE antes de 2019. Esta está actualmente em 0%, sendo que a taxa dos depósitos (actualmente em terreno negativo) deverá ser a primeira a subir.

 

 




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