Finanças Públicas Weidmann responsabiliza imigração pelos baixos salários na Alemanha

Weidmann responsabiliza imigração pelos baixos salários na Alemanha

O presidente do banco central alemão defendeu que o lento crescimento dos salários na Alemanha se deve em parte à pressão descendente exercida pelos imigrantes oriundos de outros Estados-membros da União Europeia.
Weidmann responsabiliza imigração pelos baixos salários na Alemanha
Bloomberg
David Santiago 18 de janeiro de 2018 às 18:39

O lento crescimento dos salários na Alemanha deve-se, entre outros factores, à pressão feita pelos imigrantes comunitários que acedem ao mercado de trabalho germânico, defende Jens Weidmann, presidente do banco central alemão (Bundesbank), que é apontado como possível sucessor de Mario Draghi na liderança do Banco Central Europeu (BCE).

 

Em declarações proferidas esta quinta-feira, 18 de Janeiro, numa conferência conjunta do Bundesbank e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Frankfurt, Weidmann sustentou que a migração vinda de outros países da União Europeia é parcialmente responsável pela lenta valorização salarial na maior economia do euro.

 

Jens Weidmann recorre a dados do Bundesbank que "sugerem que a migração de outros Estados-membros da UE justificam parcialmente a pressão descendente sobre os salários na Alemanha".

 

Para Weidmann outra razão prende-se com o facto de os sindicatos alemães insistirem em propostas para a redução da jornada laboral e na exigência de maior formação para os trabalhadores, aparentemente deixando para segundo plano a reivindicação de aumentos salariais.

 

Esta afirmação não deixa de ser algo contraditória com o facto de, precisamente nesta altura – momento em que está a ser negociada formalmente uma coligação de governo entre o bloco conservador de Angela Merkel e o SPD de Martin Schulz -, os sindicatos alemães estarem a pedir aumentos dos salários. O maior sindicato germânico (IG Metall, do sector metalúrgico) exige um aumento de 6% ao salário anual.  

 

Weidmann sublinhou ainda que o lento crescimento dos salários afecta outras grandes economias, como os Estados Unidos, Reino Unido e Japão. "Isso sugere que os factores responsáveis pelo atrasar do crescimento dos salários não são apenas idiossincráticos, mas pelo menos em parte também internacionais", justificou.   

 

Nesta altura, a lenta subida dos salários é apontada como uma das principais preocupações do BCE, um factor que contribui para que a taxa de inflação na eurozona continue aquém da meta dos 2%.

 

O que, por sua vez, justifica a manutenção em vigor das medidas de estímulo económico não convencionais adoptadas pela instituição liderada por Draghi. Em paralelo à lenta subida da inflação no bloco do euro, a região atravessa uma fase de aceleração económica e redução do desemprego.

 

Weidmann rebate críticas de Lagarde

 

Antes da conferência que contou também com a presença da directora-geral do FMI, Christine Lagarde escreveu um artigo em que repetiu uma ideia já reiterada pela instituição. Lagarde defendeu que a Alemanha devia investir os excedentes orçamentais acumulados nos últimos anos para potenciar o crescimento nos anos vindouros.

 

De acordo com o Instituto de Investigação Económica (IFO) alemão, em 2017 o excedente orçamental germânico, o quarto consecutivo, foi o maior gerado em todo o mundo. Em 2017, o excedente foi de 1,2% do PIB, o maior desde a reunificação alemã promovida em 1990.

 

A líder do FMI defendeu que o governo alemão devia investir na renovação e construção de novas infra-estruturas, questionando-se ainda sobre o motivo que levará famílias e empresas a poupar tanto e a investir tão pouco.

 

Weidmann discorda das críticas de Lagarde e garante que a Alemanha não deve aumentar a despesa pública, embora conceda que pode planear melhor a forma de a realizar. 




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mais votado Alfon 18.01.2018

Olha quem se queixa de salários baixos. Se calhar nunca lhe passou sequer pela cabeça que pode existir ordenado de 480 euros.

comentários mais recentes
Anónimo 19.01.2018

Aprendam a ler a notícia.. os racistas já começaram os insultos.. povo tacanho e pequeno. "imigrantes oriundos de outros estados-membros europeus" quer dizer portugueses, espanhóis, gregos, italianos, que vão à procura de melhores condições dentro da europa, porque os seus países são mal governados!

Anónimo 19.01.2018

Este tem NAZI escrito na testa.

bucks 19.01.2018

Sem constrangimentos e com respeito ao islão, não é mentira que este propaga a sua ampliação através do maior número possivel de nascimentos independentemente das suas condições.

Alfon 18.01.2018

Olha quem se queixa de salários baixos. Se calhar nunca lhe passou sequer pela cabeça que pode existir ordenado de 480 euros.

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