Mercados Yellen, a mulher "pequenina" que conquistou os EUA

Yellen, a mulher "pequenina" que conquistou os EUA

Tida como uma "pomba" em matéria de política monetária, Janet Yellen bate as asas em grande, apesar de não ter sido reconduzida no cargo.
Yellen, a mulher "pequenina" que conquistou os EUA
Reuters
Carla Pedro 02 de fevereiro de 2018 às 12:00
Janet Yellen, actualmente com 71 anos, nasceu a 13 de Agosto de 1946 em Brooklyn, Nova Iorque. Foi a primeira mulher a presidir à Reserva Federal norte-americana e o seu mandato de quatro anos foi marcado pelo reinício da subida das taxas de juro directoras no país, depois de sete anos em mínimos históricos.

Com efeito, após quase uma década sem subir os juros directores, que se mantiveram desde 2008 em mínimos históricos, entre 0% e 0,25%, foi sob a presidência de Yellen – em Dezembro de 2015 – que a Reserva Federal procedeu ao primeiro aumento, de 25 pontos base. E só um ano depois voltou a incrementá-los, e na mesma proporção. Em 2017 procedeu a três aumentos, sempre contidos (de 25 pontos base), e sinalizou uma redução do seu balanço.

O seu "reinado", apesar de curto – é a primeira vez em quatro décadas que um presidente do banco central dos EUA não cumpre um segundo mandato, já que Yellen fica apenas quatro anos à frente dos destinos do banco central dos EUA – , durou o suficiente para que esta mulher de estatura pequena [é conhecida como "a senhora baixinha, com um elevado Q.I."] se tornasse "um fenómeno da cultura pop", como a apelida o The New York Times ao referir que Yellen soube como conduzir a Fed sem percalços, num contexto caracterizado por uma inflação consistentemente baixa e por uma forte queda da taxa de desemprego.

Antes de integrar a Reserva Federal como governadora, em 1994, Yellen – filha de uma professora e de um médico – ocupou vários cargos de relevo. Começou a sua carreira como professora de Economia e investigadora, tendo depois sido escolhida por Bill Clinton para presidir ao Conselho de Assessores Económicos do então presidente do país, de 1997 a 1999.

Tanto Yellen como o seu marido, George Akerlof, são economistas keynesianos que acreditam que os mercados económicos são fundamentalmente enviesados e precisam de regulação governamental para funcionarem correctamente, conforme sublinha a Investopedia.

Na gíria da política monetária, Janet Yellen é tida como uma pomba, por contraponto ao falcão. As pombas querem manter as taxas de juro em níveis baixos e promover o crescimento do emprego, ao passo que os falcões são a favor de juros mais altos para controlar a inflação. E Yellen é classificada no grupo das pombas por ser apologista de medidas de estímulo à economia [mesmo que isso faça subir a inflação acima do que se desejaria - o que, de qualquer das formas, não aconteceu, pois o índice de preços no consumidor está ainda longe da meta de 2% proposta pela Fed].

Além disso, a ainda presidente da Fed sempre defendeu, durante o seu mandato, que a subida das taxas de juro directoras nos EUA teria de ser gradual. E assim foi. A nomeação de Jerome Powell em sua substituição não revolucionou os mercados, porque se espera uma política de continuidade nesta linha de aumento gradual do custo do dinheiro. Yellen tinha assento na administração da Reserva Federal até 2024, mas no passado dia 20 de Novembro anunciou que não iria permanecer na Fed depois de ceder as suas rédeas a Powell.

No comunicado então divulgado, a responsável máxima da Fed disse que se demitia de membro do conselho de governadores do Sistema da Reserva Federal, sendo que a saída se efectivaria quando o seu sucessor tomasse posse como presidente. O que acontece já amanhã, 3 de Fevereiro. A mulher que foi alvo de piadas por ter usado o mesmo fato aquando da sua nomeação oficial pela Casa Branca e aquando do seu discurso de tomada de posse, acabou por vencer pela seriedade [um colunista de mexericos, em Washington, chegou mesmo a dizer, a propósito de ter envergado a mesma indumentária, que "pelo menos sabemos que a sua mente não anda ocupada com a alta costura"], deixando saudades junto de muitos dos seus admiradores.

Foi também a presidente que nunca quis ser "presidenta". Fugiu constantemente ao símbolo de ícone feminista e sempre quis ser designada como "chairman" e não "chairwoman" – ficava mesmo indignada quando alguém insistia em tratá-la dessa forma, como conta o NYT. 




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