Política Monetária Yellen diz que Reserva Federal segue prudência nas taxas de juro

Yellen diz que Reserva Federal segue prudência nas taxas de juro

A presidente da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos, Janet Yellen, manifestou na quinta-feira dúvidas sobre o uso de uma fórmula rígida para fixar taxas de juro, defendendo a sua posição perante o próprio autor da regra.  
Yellen diz que Reserva Federal segue prudência nas taxas de juro
Andrew Harrer/Bloomberg
Lusa 20 de janeiro de 2017 às 07:52

Ao falar na véspera da tomada de posse do Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, Yellen também repetiu a sua oposição à proposta do Congresso para auditar o banco central a qualquer altura, caso este se desviasse das regras rígidas, uma medida que na sua opinião ameaça a independência da Fed.

 

Embora possam ser "indicadores úteis" para a Fed, "as regras não devem ser seguidas mecanicamente, porque fazer isso pode trazer consequências adversas para a economia", disse Yellen na Universidade de Stanford, na Califórnia, num discurso em que afirmou que o banco central segue um curso "prudente" para aumentar gradualmente as taxas.

 

Segundo a economista, a abordagem da Fed deverá melhorar as perspectivas de que a economia vai atingir um crescimento sustentável, com o mercado de trabalho a operar com pleno emprego e a inflação a fixar-se perto do objectivo dos 2% fixados pelo banco central.

 

A Fed subiu em Dezembro as taxas de juro num quarto de ponto percentual, de 0,50% para 0,75%, e anunciou a intenção de aumentar as taxas de juro por três vezes em 2017.

 

Yellen, que tem estado sob fortes críticas de Trump pela forma como tem gerido a política monetária, contestou o recurso a regras e fórmulas rígidas para ajustar as taxas de juro, incluindo a conhecida regra de Taylor.

 

A medida de Taylor, publicada em 1993, pede sistemáticos ajustamentos nas taxas de juro pelo banco central, com base em apenas três variáveis económicas, sendo que duas delas estão sujeitas a interpretação.

 

A regra de Taylor, por exemplo, teria pedido taxas de juro mais elevadas durante a lenta recuperação da economia norte-americana, disse.

 

Já no período de resposta às questões do público, o professor de Economia de Stanford e autor da regra Taylor, John Taylor, desafiou a teoria de Yellen.

 

Taylor argumentou que os próprios gráficos de Yellen demonstram que a Fed pode ter contribuído para a crise financeira, por ter mantido as taxas de juro bastante baixas durante muito tempo.

 

Yellen discordou, afirmando que os problemas no mercado imobiliário começaram antes de haver qualquer indicação de que as taxas de juro estavam baixas.

 

"Penso que não posso concordar que se diga que isso foi responsável pela crise financeira ", disse Yellen a Taylor. 




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