Empresas Engenheiros dizem basta ao pagamento à hora e ameaçam: “O país vai parar”

Engenheiros dizem basta ao pagamento à hora e ameaçam: “O país vai parar”

A Ordem dos Engenheiros da Região Norte diz que Portugal já sente “a ausência de profissionais de engenharia civil”, pelo que estes não estão mais disponíveis para manter a “remuneração por hora”. E ameaça: “O país vai parar porque deixa de haver produção de construção civil.”
Engenheiros dizem basta ao pagamento à hora e ameaçam: “O país vai parar”
Stringer/Reuters
Rui Neves 20 de novembro de 2017 às 11:20

Após muitos anos de crise, o mercado da construção nacional está novamente em alta. A produção do sector aumentou em Setembro face ao mesmo mês do ano passado, com o segmento de engenharia civil a registar o crescimento homólogo mais intenso (4,9%).

 

Por outro lado "no mês de Maio, o número de concursos público atingiu um número que já não se verificava desde Janeiro de 2014", enfatiza Bento Machado Aires, coordenador do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros da Região Norte (OERN).

 

"O crescimento está a verificar-se e não é só no sector privado, como à partida se poderia pensar", sublinha, alertando que "o problema que se enfrenta" neste momento é outro. "É a ausência de mão-de-obra qualificada para a construção civil, incluindo de profissionais de engenharia civil", aponta.

 

"Em breve vamos estar a importar mão-de-obra e a abrir o mercado da construção civil a empresas estrangeiras", avisa Bento Aires, lembrando que "Portugal, para continuar a crescer, precisa de mais habitação, mais mobilidade, mais serviços, mais oferta turística, mas de forma sustentada".

 

Necessidades que, em seu entender, "envolvem dois elementos base: edifícios e infra-estruturas, produtos da engenharia e construção civil".

Ora, com "a falta de valorização do trabalho dos engenheiros, com remuneração por hora", Bento Aires  alerta que a situação "está a encaminhar-se para que, a breve trecho, os engenheiros vão deixar de trabalhar ao preço que o mercado está habituado e o país vai parar porque deixa de haver produção de construção civil".

 

Entretanto, para "retomar a ligação com a sociedade e contribuir para a defesa, a promoção e o progresso da Engenharia", a OERN estará presente na edição deste ano da feira Concreta, que decorre de 23 e 26 de Novembro na Exponor, um pavilhão de 1.300 metros quadrados, 25 stands e mais de 30 empresas ligadas às engenharias.

Na Concreta, a OERN "pretende, sobretudo, demonstrar a importância da Engenharia no sector da construção civil", lembrando que aquela é indispensável na realização de uma obra, "porque, no limite, a segurança, o conforto e a confiança é garantida pelos engenheiros e não por outros profissionais", conclui Bento Aires. 




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comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Quem desconhece o trabalho que fazem os engenheiros não deveria comentar, mas infelizmente é o que se vê.
Como não dá para escrever muito, direi que, hoje em dia, só vai para engenharia (excepto informática) quem é masoquista.

Anónimo Há 3 semanas

Sim existe trabalho para vocês mas têm que andar na obra para a seguir! Não se armem em senhores engenheiros de gravatinha e fato para ir a uma obra. Vistam calças de trabalho, capacete e botas de trabalho. Assim sim podem seguir e ver como a obra está a ser construída...

Investidor Há 3 semanas

chamar Sr. Doutor a engenheiros de meia-tigela é uma estupidez. Se não estão bem ponham-se a andar. Existem muitos chineses inteligentes que querem trabalhar neste país.

Anónimo Há 3 semanas

O que faz especificamente um eng numa obra alem de estorvar a quem anda a trabalhar??? basta fiscalizar ao fim do dia quando ~já não estiver ninguém em obra...

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