Educação Fenprof divulga estudo crítico sobre flexibilidade curricular

Fenprof divulga estudo crítico sobre flexibilidade curricular

A voz dos professores está "completamente ausente" do projecto de autonomia e flexibilidade curricular (PAFC), que este ano começou em algumas escolas, concluiu um estudo da Fenprof.
Fenprof divulga estudo crítico sobre flexibilidade curricular
Correio da Manhã
Lusa 16 de junho de 2018 às 11:32

"A voz dos professores está completamente ausente da conceptualização e implementação do projecto autonomia e flexibilidade curricular", conclui o estudo da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), divulgado este sábado, 16 de Junho, numa sessão na Escola Secundária do Cerco, no Porto.

 

O Governo autorizou para o presente ano lectivo, em regime de experiência pedagógica, o PAFC dos ensinos básico e secundário, abrangendo estabelecimentos de ensino da rede pública e privada, para melhorar a aprendizagem e as competências, "assumindo a centralidade das escolas, dos seus alunos e professores e permitindo a gestão do currículo de forma flexível e contextualizada", segundo o Governo.

 

Agora, ouvindo mais de 400 professores de 54 escolas, de um total de 235 escolas com PAFC, de todo o país, o estudo conclui que a implementação do PAFC foi feita à custa dos professores, trouxe mais burocracia e trabalho não reconhecido e que o programa não é avaliado nem nas próprias escolas, onde foi implementado sem a preparação dos estabelecimentos e dos professores.

 

O estudo conclui também que os currículos são muitos extensos, os professores estão desmotivados e falta maturidade aos alunos para o desenvolvimento de projectos.

 

As conclusões do estudo assinalam ainda o "substancial aumento da carga de trabalho para os professores" e o elevado número de alunos por turma.

 

Os professores ouvidos apontaram igualmente a falta de recursos materiais, a indefinição de objectivos ou a burocratização como aspectos negativos do PAFC, além de também colocar em causa o currículo nacional. 

 

Como aspectos positivos os professores salientaram, nomeadamente, o trabalho centrado no desenvolvimento de competências e não nos conteúdos, a preocupação com melhores aprendizagens, a gestão do currículo de forma flexível e contextualizada, e a possibilidade de os alunos se envolverem em projectos.

 

Questionada pela Lusa, a coordenadora do grupo de trabalho que fez o estudo, a professora Brígida Batista, disse não poder destacar aspectos positivos do PAFC porque "não há condições para o implementar nas escolas".

 

"Não se pode mudar o paradigma sem mudar as condições nas próprias escolas", disse a responsável, acrescentando que o PAFC não trouxe "uma mais-valia em termos de aprendizagem dos alunos".

 

O projecto, considerou, "até podia ser interessante" se tivesse sido eficazmente preparado, com turmas pequenas, com bons espaços e boas salas, mas, ao contrário, disse, trouxe "horários sobrecarregados em turmas de 30 alunos".

 

Na apresentação do estudo Brígida Batista criticou o desinvestimento na educação, a falta de igualdade de oportunidades, o excesso de alunos por turma e de turmas por professor, e a "ameaça da municipalização" e salientou que é preciso uma "efectiva avaliação da implementação" do PAFC.

 

Porque é preciso, disse, "ser consequente na análise de uma tão importante mudança na vida das escolas, dos alunos e dos professores".

 




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