Educação Filiais francesas são as que criam mais riqueza em Portugal

Filiais francesas são as que criam mais riqueza em Portugal

As empresas estrangeiras que criam mais riqueza em Portugal estão sediadas em França. Mas Espanha concentra a maioria das filiais estrangeiras. O peso destas 6.360 empresas no VAB português manteve-se nos 24,7%, de acordo com o INE.
Filiais francesas são as que criam mais riqueza em Portugal
Bloomberg
Bruno Simões 23 de outubro de 2017 às 12:58

As 6.360 filiais de empresas estrangeiras sediadas em Portugal contribuíram para produzir 24,7% da riqueza gerada em Portugal no ano passado no sector empresarial não-financeiro, um número que se mantém inalterado face a 2015. Já o peso no volume de negócios total subiu de 25,3% para 25,6% de 2015 para 2016. Espanha concentrava o maior número de empresas estrangeiras, mas as empresas francesas foram as responsáveis pela maioria da riqueza produzida pelas empresas com sede noutro país.

 

O Instituto Nacional de Estatística divulgou esta segunda-feira as Estatísticas de Globalização, que permitem perceber qual o peso na economia das filiais estrangeiras, isto é, empresas residentes em Portugal que são controladas por uma empresa não residente em Portugal.

 

A maioria das empresas estrangeiras com presença em Portugal tinha, no ano passado, a casa-mãe sediada na Europa – 80,2%. Eram estas empresas que concentravam também a esmagadora maioria da riqueza produzida – 78,3%. As empresas sediadas no continente americano representavam 14% do total das filiais estrangeiras, e concentravam 15,4% da riqueza. França, Espanha e Alemanha "concentraram 54,5% do total do VAB gerado por filiais de empresas estrangeiras. Acentuou-se a importância destes países, que em 2010 já detinham 49,6% do VAB gerado", lê-se no destaque do INE.

 

Olhando de forma mais fina para o país de origem do controlo de capital dessas empresas estrangeiras, Espanha concentrava 24% do total, mas estas representavam 15% do Valor Acrescentado Bruto. Nas empresas sediadas em França acontece o contrário: apesar de representarem 18,3% do total, as filiais com origem gaulesa foram responsáveis por 25,5% do VAB, o que representou uma subida de 0,6 pontos percentuais.

 

Alemanha domina na Indústria, França nas comunicações

França liderou nos sectores da Construção e Imobiliário, Comércio, Transportes e Armazenagem e Informação e Comunicação. Algumas das principais empresas francesas em Portugal são a Altice, a Auchan, Intermarché e FNAC, bem como a PSA Peugeot-Citroen ou a ANA (detida pela Vinci).

Segue-se depois a Alemanha como terceiro país mais importante: 7,1% das empresas estrangeiras são controladas a partir de terras germânicas, e são responsáveis pela criação de 13,9% da riqueza. Os EUA são o terceiro país com mais empresas estrangeiras – 9,3% do total, mas o quarto país com maior riqueza criada (12,2%). A fechar o top 5 está o Reino Unido, com 6,8% das empresas e 6,4% do VAB.

 

As empresas com origem na Alemanha apenas lideraram no sector da Indústria (entre as principais empresas nesta área estão a Continental Mabor e a Autoeuropa), e Espanha só atingiu a posição de liderança na Agricultura. As filiais dos EUA lideraram no sector de Restauração e Alojamento e em Outros Serviços.

 

O Produto Interno Bruto representa a soma dos vários VAB sectoriais. Em termos europeus, e olhando a dados de 2014 (os últimos disponíveis), Portugal estava abaixo da média europeia quanto ao contributo de empresas estrangeiras no VAB gerado pelas sociedades. Nesse ano, o peso das filiais era de 23,5%, abaixo dos 24,1% da média europeia. Irlanda e Hungria tinham "mais de metade do VAB a ser gerado por filiais estrangeiras (53,1% e 52,7%, respectivamente)".

As empresas estrangeiras de perfil exportador (que exportam 50% ou mais da produção) "concentraram 35,9% do VAB do total das filiais estrangeiras em 2016", diz ainda o INE.




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