Educação OCDE: Portugal continua a ter doutorados a menos e em situação laboral precária

OCDE: Portugal continua a ter doutorados a menos e em situação laboral precária

Portugal continua a ter doutorados a menos, sobretudo nas empresas, e em situação laboral precária e desperdiça dinheiros públicos escassos ao financiar bolsas de doutoramento sem priorizar áreas de investigação onde essa formação faz falta.
OCDE: Portugal continua a ter doutorados a menos e em situação laboral precária
Lusa 09 de fevereiro de 2018 às 01:06

O diagnóstico é feito num relatório preliminar da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que avaliou em 2017 o estado do sistema científico, de ensino superior e inovação em Portugal e que será apresentado hoje de manhã numa sessão pública em Lisboa, com a presença dos ministros da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

 

Embora com outros contornos, a avaliação da OCDE voltou a ser feita, a pedido do Governo, após um interregno de dez anos.

 

Os peritos avisam que, apesar de o número de doutorados ter aumentado em Portugal, a taxa de pessoas com doutoramento concluído no país continua baixa quando comparada com a da Alemanha, da Suíça ou do Reino Unido.

 

É nas universidades que os doutorados estão mais concentrados, em actividades de investigação ou docência, e não nas empresas, onde a percentagem se mantém escassa.

 

Para atenuar este cenário, já identificado em estatísticas nacionais, a OCDE, organização da qual Portugal é um dos Estados-Membros, considera que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) deve incentivar mais a realização de doutoramentos em empresas e em instituições não-académicas através dos seus programas doutorais e das bolsas de doutoramento.

 

A OCDE lembra o aumento do número de pós-doutorados em situação laboral precária, sem contractos de trabalho e com "perspectivas limitadas" de ingresso na carreira académica, mas elogia a legislação de estímulo ao emprego científico, que prevê a contratação de doutorados por um prazo máximo de seis anos, findo o qual podem entrar na carreira docente ou de investigador.

 

No entanto, avisa para o risco de se "perpetuarem expectativas irrealistas" sobre oportunidades de integração numa carreira académica, com as pessoas a não procurarem outras opções de emprego em outros sectores.

 

Os avaliadores alertam para o "uso ineficaz de recursos escassos", sustentando que o financiamento da FCT - principal entidade na dependência do Governo que subsidia a ciência em Portugal - para bolsas de doutoramento não é direccionado para áreas de investigação identificadas como prioritárias ou onde há necessidade de ter pessoal qualificado.

 

Para a OCDE, "à luz de um mercado de trabalho competitivo", o financiamento de "doutoramentos em áreas onde existe pouca procura de graduados" traduz-se num "mau uso de dinheiros públicos" e "encoraja as pessoas a prosseguirem um modelo de formação e carreira que as desvia de opções mais produtivas".

 

Os autores do relatório alertam ainda para a "imprevisibilidade e instabilidade" dos apoios financeiros à investigação, concentrados maioritariamente na FCT através de concursos, que prejudica o planeamento da actividade de investigadores e instituições científicas.

 

A OCDE recomenda que seja dada mais autonomia às unidades de investigação para que possam "seleccionar e financiar" os candidatos a bolsas de doutoramento de acordo com as suas necessidades.

 

Na sua análise, a organização internacional considera "particularmente problemática" a falta de informação sobre os doutorados portugueses que trabalham no estrangeiro, propondo o seu registo numa base de dados.

 

O relatório preliminar adverte também que "os riscos associados à 'fuga de cérebros' não devem ser ignorados no planeamento de políticas de investigação e inovação".




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comentários mais recentes
Anónimo 09.02.2018

Quem recebe as bolsas financiadas pelo Estado/UE? Jornalistas, já se deram ao trabalho de analisar critérios/resultados da FCT? Aparentemente (coincidência), os orientandos de determinados professores sao os que geralmente conseguem as bolsas, ou entao que tenham contactos no governo. Investigue-se!

anonimo 09.02.2018

Numa coisa sei que têm razão, existem doutoramentos, que valha-me Deus, não servem para nada.No entanto o Estado dá bolsas , sendo considerados investigadores. O problema é que esses pretensos doutoramentos não têm qualquer interesse científico e prático. Deveriam fiscalizar certos professores .

Eusebio manuel Vestias Pecurto Vestias 09.02.2018

Parabéns OCDE mas enquanto os Portugueses tiverem uma imagem negativa de aprendizagém não esperem demais Estamos muito longe da Suiça ou a Dinamarca\ onde alguém que iniciou o prendiz pode se tornar diretor em uma empresa de alta tecnologia Um dia em que os sindicatos são colocados de fora todo será possivel

Camponio da beira 09.02.2018

têm sido mos doutorados que têm destruido este país.cavaco e companhia, socrates e companhia, passos e companhia,portas e companhia, salgado,rendeiro,tomé,o.costa e companhia rangel e companhia e aí por diante.Não são os gajos de fato macaco e mão sujas que roubam esta pais.

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