Educação Exame nacional só no 9º ano. No 2º, 5º e 8º ano haverá provas de aferição

Exame nacional só no 9º ano. No 2º, 5º e 8º ano haverá provas de aferição

Os conhecimentos de Português e Matemática dos alunos vão ser avaliados obrigatoriamente no final no 2º, 5º, do 8º e do 9º ano. Mas enquanto a prova do 9º ano certifica a conclusão de um ciclo, as restantes são provas de aferição de conhecimentos.
Exame nacional só no 9º ano. No 2º, 5º e 8º ano haverá provas de aferição
Inês F. Alves 08 de janeiro de 2016 às 13:00

As provas de aferição do 2º, do 5º e do 8º ano de escolaridade são universais e obrigatórias este ano, e deverão ter lugar no final do ano lectivo. As provas visam avaliar os conhecimentos de Português e Matemática. Permanece o exame nacional de 9º ano às mesmas disciplinas, para certificar a conclusão do Ensino Básico, informa o Ministério da Educação.

Segundo a nota enviada esta sexta-feira, 8 de Janeiro, as provas de aferição devem realizar-se antes da conclusão de cada ciclo, para se "poder agir atempadamente sobre as dificuldades detectadas".

Assim sendo, no 2º ano de escolaridade (1º ciclo) vão realizar-se duas provas de aferição na última semana de aulas, uma sobre Português e outra sobre Matemática, sendo que ambas devem apresentar "uma componente de Estudo do Meio". No próximo ano lectivo, as provas de aferição do 2º ano passam a incluir também a área de Expressões.

No 5º ano (2º ciclo) e no 8º ano (3º ciclo) de escolaridade voltarão a ser avaliados os conhecimentos em Português e Matemática com duas provas de aferição, que devem ter lugar após a última semana de aulas. Informa o Governo que a partir do próximo ano lectivo "as provas de aferição do 5.º e do 8.º ano de escolaridade incidirão, rotativamente, sobre outras áreas do currículo, prevendo-se também, em algumas disciplinas, rotinas de avaliação a partir de situações práticas".

Os resultados das provas de aferição deverão ser posteriormente devolvidos às escolas e transmitidos aos encarregados de educação através de uma Ficha Individual do Aluno, que deverá conter "um descritivo detalhado do desempenho de classificações" do mesmo.

Estas provas de aferição "têm aplicação obrigatória e universal".

No final do 9º ano têm lugar os exames nacionais nas disciplinas de Português e de Matemática, "no regime em que decorrem desde 2005".

Pode ler-se ainda na nota do Mistério da Educação que será criado um grupo de trabalho para acompanhar a implementação deste modelo de avaliação e que os Agrupamentos e Escolas já foram informados das alterações.

Enquanto a prova final de 9º ano visa não só avaliar o desempenho dos alunos como "certificar a conclusão do Ensino Básico", as provas de aferição têm como objectivo acompanhar o desenvolvimento do currículo, fornecer informações detalhadas sobre os alunos às escolas e encarregados de educação e "potenciar uma intervenção pedagógica atempada, dirigida às dificuldades específicas de cada aluno", esclarece este comunicado.

Entra assim em prática a alteração à lei anterior, aprovada pelo anterior ministro da Educação Nuno Crato, e que previa a realização de exame no final do 1º e do 2 ciclos, ou seja, no 4º ano e no 6º ano de escolaridade. Estes exames tinham uma ponderação de 30% na nota final do aluno.


O Parlamento votou favoravelmente o fim dos exames nacionais no 4º ano de escolaridade com votos PS, do PCP, do Bloco de Esquerda, do PEV e do PAN no passado dia 27 de Novembro de 2015. Só o PSD e o CDS-PP votaram contra os projectos lei apresentados pelo Bloco de Esquerda.


Aquando a discussão da lei no Parlamento, pais e professores mostram-se favoráveis ao fim dos exames nacionais do 4º ano.


"Em vez de estarem a aprender ou a consolidar conhecimentos, estão preocupados e stressados com os exames. São crianças que não necessitam de passar por isto", considerou a presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Isabel Gregório.


"Sempre dissemos que este modelo de exames no fim do 1.º Ciclo era desadequado, sentimos nas escolas que há demasiado stresse, demasiada preocupação com este exame, até por causa os rankings", afirmou o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Jorge Ascensão.


A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) saudou a medida mas pedia também a eliminação dos exames do 6º ano, o que acabou por vir a acontecer.


(Notícia actualizada às 13:29)




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mais votado abelavida 08.01.2016

Fazer alunos acumular insuficiências passando-os ano após ano é uma monstruosidade que traz enormes prejuízos tanto para o aluno em questão como para todos os outros.

comentários mais recentes
MARIA 09.01.2016

Este palhaço deste ministro da educação é um cobarde por fazer sofre as crianças e jovens que são apenas pessoas que estão a estuda para ter uma boa vida.
Odeio este ministro
ESPERO QUE MORRA AFOGADO ISTO NÃO SE FAZ

Anónimo 09.01.2016

Enfim , a meio do ano letico decide-se isto e este ano farei lá as provas de 8º daqui a dois anos provavelmente ja nem existem e mudam, é esta a realidades em que estamos

mari.filipa21 09.01.2016

Como aluna do 8° ano que sou, sinto-me stressada. Passamos imenso tempo na escola, os testes metem-nos nervosos como tudo e ainda querem mais? Querem que a nossa primeira semana de aulas seja a pensar que em x dia teremos de ir para a escola fazer mais uma prova que só nos foi anunciada a meio do ano? E as crianças do 2° ano? Deixem-lhes ser crianças, ou vão fazer uma prova sobre como se chama o lobo mau da capuchinho vermelho? Pensem um pouco nos alunos e em como a nossa vida não se resume a estudar.

Regina Matos 08.01.2016

Já agora deviam também de pensar na hipótese de haver turmas adequadas para crianças que sofrem de défice de atenção e de hiperatividade e que estão a ser medicadas para o efeito.
Muitas são prejudicadas.

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