Educação Universidades contratam professores à borla

Universidades contratam professores à borla

No Porto são pelo menos 40 e no total das universidades públicas o número chega aos 176. Confirmados pelo Governo porque, segundo os sindicatos, são ainda mais e engrossam a precariedade. A notícia é avançada esta quarta-feira pelo Jornal de Notícias.
Universidades contratam professores à borla
Paulo Duarte/Negócios
Negócios 28 de Dezembro de 2016 às 09:09

Nas universidades portuguesas há pelo menos 176 pessoas a dar aulas sem receber por isso. A denúncia partiu do Sindicato nacional do Ensino Superior e faz a manchete desta quarta-feira, 28 de Dezembro, do Jornal de Notícias. São docentes e investigadores, que, diz o sindicato, são alvo de contratações ilegais, um regime que agrava a precariedade ente os docentes.

 

Segundo o Jornal de Notícias, só a Universidade do Porto contratou este ano 40 professores sem remuneração, entre assistentes convidados e categorias superiores a essa.

Já na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, não há contratos sem remuneração assinados, mas os centros de investigação são incentivados a participar no ensino. Sem receber, portanto. E os investigadores que aceitem podem ser bolseiros de doutoramento, pós-doutoramento, ou estar afectos a centros. Assim, só este ano, 39 unidades curriculares da daquela faculdade são asseguradas por estes voluntários.

 

A ideia é que estas pessoas, trabalhando de graça, possam um dia acabar por ingressar na carreira, sujeitando-se, no imediato, a um período de precariedade.

Na Universidade do Porto, a justificação passa pela "tradição", estando os contratos sem remuneração previstos no regulamento, destinando-se a suprir necessidades específicas e limitadas no tempo, segundo declarações dos responsáveis ao Jornal de Notícias. 

Já na Nova, em Lisboa, as unidades curriculares não remuneradas são criadas a pedido dos próprios investigadores, que assim garantem "a disseminação dos resultados da sua investigação", disse ao Jornal de Notícias fonte da universidade.

 

O Governo confirma que em 2014 havia 176 pessoas nestas condições, mas o Sindicato Nacional do Ensino Superior estima que esse número tenha aumentado 35% na anterior legislatura. 




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comentários mais recentes
Uma não noticia Há 2 semanas

Este JdN faz figuras tristes. Os 176 (são mais) são pontualmente recrutados nos termos da legislação que regula a matéria. Isto acontece há 20 anos. Quem é que dirige este JdN? incompetência atroz. Querem que vos faculte a legislação para não se precipitarem e dizerem disparates?

Anónimo Há 2 semanas

1º Só assina um contrato desses quem quer.
2º Uma universidade pode proporcionar acesso a materiais e recursos com valores na casa dos milhões de euros, portanto estes contratos pedem ser muito benéficos para ambas as partes.
3º Só conseguem remunerar estes contratos se os limitarem em numero

Tereza economista Há 2 semanas

Para as lapas ganharem 5 mil euros outros ganham zero.

fa Há 2 semanas

Onde está o BE, PCP, Verdes e CGTP a manifestarem-se contra a exploração dos trabalhadores.

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