Europa Centeno quer reformas urgentes na Zona Euro

Centeno quer reformas urgentes na Zona Euro

O desenrolar do Brexit e a perspectiva de uma escalada comercial tornam mais urgentes a implementação de reformas na Zona Euro, disse o líder do Eurogrupo.
Centeno quer reformas urgentes na Zona Euro
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios com Bloomberg 06 de setembro de 2018 às 19:33

Mário Centeno apelou esta quinta-feira, 6 de Setembro, aos governos dos países da Zona Euro para acelerarem a implementação de reformas na Zona Euro, considerando que não há tempo a perder devido aos riscos relacionados com o comércio global e o Brexit.


"Temos exposto a nossa recuperação a testes desnecessários", afirmou o presidente do Eurogrupo num evento que decorre esta quinta-feira em Viena, na Áustria. "Apesar da actual expansão, os riscos e incertezas estão a aumentar. A escalada das tensões comerciais e o Brexit são algumas das nuvens no horizonte. Devem levar-nos a implementar as reformas que começamos com sentido de missão e urgência", revelou o ministro das Finanças português, citado pela Bloomberg.

 

Numa altura em que os ministros das Finanças do euro estão a trabalhar na finalização da união bancária, Centeno lembrou que a união monetária está "incompleta". O foco está também no fortalecimento do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) e análise à capacidade orçamental da Zona Euro, disse Centeno.

 

"Não podemos protelar até que a próxima crise nos apanhe desprevenidos", disse o líder do Eurogrupo.

 

Um recado que tem no Conselho Europeu o principal destinatário. O fórum que reúne os chefes de Governo europeus reuniu no mês de Junho, tendo conseguido apenas progressos mínimos nas reformas pretendidas.

 

O Conselho Europeu do final de Junho redundou num conjunto de acordos mínimos, em especial nos temas fortes em que os líderes europeus se propunham alcançar avanços concretos: política migratória da União Europeia e reforço da integração da Zona Euro. O primeiro-ministro português, António Costa, disse mesmo não se recordar de nenhuma cimeira "onde tenham sido tão evidentes as divisões".  

 

As conclusões do último conselho europeu sobre a reforma da Zona Euro:

  

Acordado: A criação de uma rede comum de segurança (backstop) ao abrigo do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), um instrumento de protecção dos contribuintes em caso de resoluções no sistema financeiro que deverá estar preparado até Dezembro de 2018.
 
Omitido: Os líderes europeus e ministros das Finanças ficam politicamente incumbidos de delinear um roteiro com vista ao sistema europeu de garantias de depósitos, porém não são definidos prazos nem objectivos. Fica ainda a intenção de robustecer o MEE mas não são especificados novos instrumentos, atribuições no desenho, monitorização e implementação de futuros resgates.


Adiado: A discussão sobre a pretendida criação de um orçamento comum para a Zona Euro ficou adiada para a cimeira do euro marcada para Dezembro. Esta era a medida-chave da posição conjunta franco-alemã para a reforma da Zona Euro e constava também das propostas da Comissão Europeia para a área da moeda única. É ainda adiada a discussão sobre outras matérias inscritas por Mário Centeno, presidente do Eurogrupo, na carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a reportar os pontos de entendimento da discussão dos ministros das Finanças.




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