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Os resultados das eleições em Itália já foram conhecidos há duas semanas. Logo se soube que eram inconclusivos. Continuam a ser feitos pedidos para que seja formado um Governo. O último veio do próprio Presidente.
“Os problemas e as questões que temos pela frente obrigam a Itália a formar um Governo”, defendeu esta sexta-feira, 8 de Março, Giorgio Napolitano, Presidente de Itália desde 2006. Nesta altura, tenta-se formar uma coligação governamental em Roma.
É necessário um "esforço de coesão" entre os vários italianos, incluindo políticos, alertou ainda o Presidente de Itália desde 2006, numa declaração citada pelas agências internacionais. Nem o partido de centro-esquerda de Luigi Bersani nem o partido conservador de Sílvio Berlusconi conseguiram uma maioria nas duas câmaras do Parlamento, como era necessário para a formação de um Governo estável. Além disso, o cómico Beppe Grillo, que se coloca contra as medidas de austeridade, ganhou destaque nas eleições, liderando a terceira força mais votada.
Smaghi e o que os mercados ainda não perceberam
Olhando para a reacção dos mercados, Bini Smaghi, o economista italiano que esteve presente no Banco Central Europeu até ao ano passado, comentou que os investidores até têm estado pacientes relativamente ao impasse político que se verifica no país. Contudo, alertou Smaghi, isso irá mudar se não for resolvido em breve, cita a Bloomberg.
“De alguma forma, o mercado não percebeu verdadeiramente o que se está a passar em Itália. Pensam que vai ser criado um Governo nos próximos dias, com uma maioria, mas as coisas são muito mais complicadas”, avisou o economista.
A opinião de Smaghi foi dada um dia depois de Mario Draghi, presidente do BCE, ter dito que os mercados já tinham percebido que se vive “em democracias” e que, por isso, já tinham revertido a tendência negativa sentida após as eleições.
Itália mostra-se contra austeridade. Tal como Lisboa, segundo Roubini
Conhecido pelas previsões pessimistas, Nouriel Roubini fala no início de uma “tempestade política” em Itália. Porque, na sua opinião, qualquer que seja o novo governo – ou mesmo resultante de uma nova eleição – será, provavelmente, contra a austeridade, o que irá criar uma oposição entre Roma e a Alemanha e o BCE.
“O resultado das eleições italianas mostram que a maioria das pessoas é contra a austeridade, não apenas em Itália, mas também em Lisboa, onde um milhão de pessoas esteve nas ruas, e na Grécia e em Espanha, onde há 25% de desemprego”, disse o economista em Itália, segundo a CNBC.