Europa Grécia vai gastar 600 milhões de euros para gerir crise de refugiados

Grécia vai gastar 600 milhões de euros para gerir crise de refugiados

O Governo grego irá gastar cerca de 600 milhões de euros para lidar com a crise de refugiados que tem afectado fortemente o país. A conclusão é do banco central grego e a instituição avisa que a despesa poderá aumentar.
Grécia vai gastar 600 milhões de euros para gerir crise de refugiados
Reuters
Liliana Borges 11 de Fevereiro de 2016 às 18:51

A Grécia vai gastar cerca de 0,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB), qualquer coisa como 600 milhões de euros, em despesas que suportam a gestão e resolução da crise de refugiados que tem afectado o país com particular intensidade. A estimativa é do banco central grego, cita o Wall Street Journal. O relatório alerta ainda que esta despesas está sujeita a um aumento caso os migrantes permaneçam em território grego, consequência de um encerramento das fronteiras da rota dos Balcãs.

De acordo com um alto funcionário grego citado pelo jornal norte-americano, o banco central grego realizou um inquérito, que ainda não foi tornado público, para calcular a quantidade de fundos públicos necessários para lidar com o influxo de migrantes e refugiados e daí retira a sua estimativa e conclusão.

Para onde vai o dinheiro?

Do total de 600 milhões de euros que irão ser gastos, cerca de 35,7% serão dirigidos à recepção e acolhimento de refugiados. Já para a procura e resgate de migrantes irá 25,3% do orçamento total. A fatia de despesas que será coberta pela União Europeia ainda não é conhecida, avança o relatório.

Além do impacto de 0,3% em despesa, Atenas terá de lidar com custos adicionais, difíceis de prever, nomeadamente os efeitos que a crise de refugiados terá na actividade económica. Apesar de um relatório publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) defender que a integração de refugiados no mercado de trabalho traduz-se no aumento do PIB, devendo para isso ser feita com rapidez e eficiência, o relatório do Banco da Grécia teme consequências negativas, especialmente no sector do turismo.

Além disso, o relatório aponta que são também esperadas restrições nas fronteiras e comércio de produtos, o que pode aumentar o preço das trocas comerciais, na mesma semana em que a União Europeia deu à Grécia três meses para reorganizar e estabilizar as fronteiras externas.

O ministro grego das Migrações, Yannis Mouzalas, avisou o Parlamento grego sobre a possibilidade da despesa chegar aos mil milhões de euros. Mouzalas queixou-se também do excesso de burocracia em Bruxelas e no consequente atraso do apoio financeiro comunitário aguardado por Atenas, que, entretanto, continua sujeita à pressão de acolher mais migrantes e refugiados.

O largo número de migrantes em território grego levou ao cancelamento de várias operadoras turísticas nas ilhas menores do Mar Egeu, onde os migrantes encontram terra depois de jornadas, por vezes fatídicas, em alto mar.

A posição geográfica da Grécia coloca-a no centro não só da rota mediterrânea, mas também da rota dos Balcãs. Ao país helénico chegam um largo número de migrantes da Síria, um dos principais palcos de conflito bélico, mas também da Ásia e África.

Em 2015 cerca de 857 mil refugiados chegaram à União Europeia utilizando as fronteiras gregas como porta de entrada. Só em 2016, os dados mais recentes apontam para cerca de 68 mil chegadas à Grécia.

Os dados mais recentes da Organização Internacional das Migrações mostram que só este ano já chegaram 83,867 migrantes, incluindo refugiados. Destes, sabe-se que pelo menos 410 estão desaparecidos ou não concluíram a travessia marítima com vida, números que justificam o investimento de mais de 150 milhões de euros total da despesa grega com a crise de refugiados na procura e salvamento de pessoas.




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