Europa Presidente da República pede reforço do consenso nacional sobre questões europeias

Presidente da República pede reforço do consenso nacional sobre questões europeias

O Presidente da República pediu uma participação activa de Portugal nos debates que se avizinham no quadro da União Europeia e um reforço do "amplo consenso nacional que sempre existiu" sobre as questões europeias.
Presidente da República pede reforço do consenso nacional sobre questões europeias
Lusa 03 de janeiro de 2018 às 22:46

Marcelo Rebelo de Sousa falava no Antigo Museu dos Coches, em Lisboa, numa cerimónia de cumprimentos de Ano Novo do corpo diplomático português, em que fez um balanço "francamente positivo" de 2017 no campo diplomático e elogiou o trabalho e a lealdade institucional do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

 

Dirigindo-se para Santos Silva, declarou: "No ano que passou, pude atestar, dia após dia, a inteligência, a visão, a extenuante capacidade de trabalho e a lealdade de vossa excelência, ultrapassando a já por si inestimável solidariedade institucional ditada pela Constituição que nos rege e que o interesse nacional impõe que salvaguarde o estável e cabal cumprimento da legislatura".

 

Em relação ao futuro, o chefe de Estado defendeu que há que "assegurar e reforçar o amplo consenso nacional que sempre existiu em torno das questões europeias", considerando que "seria pueril sacrificar a questões de liderança, a susceptibilidades pessoais ou a contendas de conjuntura", e acrescentou: "Nunca esquecendo a agenda social e as legítimas preocupações e anseios dos nossos concidadãos".

 

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, no plano europeu, Portugal deve "continuar com o por todos reconhecido e inteligente protagonismo de que foi exemplo feliz o discurso de Bruges do senhor primeiro-ministro, protagonismo esse, nomeadamente, através de uma intervenção ativa nos importantes debates que se avizinham".

 

E deixou outra recomendação: "Sempre mantendo intacto o enorme crédito que criámos, que ganhámos, respeitando escrupulosamente todos os compromissos que voluntariamente assumimos".

 

O Presidente da República referiu que se avizinham debates "sobre a reforma da união económica e monetária, o próximo quadro financeiro plurianual e a cooperação na defesa, além da definição da relação futura com o Reino Unido, da difícil reflexão sobre a política de migrações ou da manutenção de uma agenda comercial aberta".

 

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa ouviu o ministro dos Negócios Estrangeiros desejar-lhe "um feliz ano novo, cheio de sucessos pessoais, profissionais e políticos" e agradecer-lhe "todo o empenho e a máxima presença com que tem acompanhado a política europeia e a externa".

 

Num discurso de cerca de 20 minutos, o chefe de Estado apelou à valorização das comunidades portuguesas, afirmando que há que "garantir os apoios de que necessitam", com uma "rede consular moderna e adaptada a novos tempos", e que é prioritário apoiar uma "mais intensa participação eleitoral e o peso nas sociedades de integração".

 

No "panorama transatlântico", defendeu que "há que prosseguir num caminho de convergência com os Estados Unidos da América, designadamente nas áreas da diplomacia económica e da diplomacia científica", procurando tirar partido da emigração portuguesa "e apostando tudo o que for possível no mês de Portugal nos Estados Unidos da América e na celebração do 10 de Junho em território norte-americano".

 

Entre os "sucessos portugueses na União Europeia em 2017", Marcelo Rebelo de Sousa saudou a "justíssima eleição de senhor ministro das Finanças como presidente do Eurogrupo" e "toda a estratégia europeia culminando na saída do procedimento por défice excessivo". "A nossa política externa é verdadeiramente uma política de Estado de que nos orgulhamos e que une os portugueses", disse.

 

No seu entender, Portugal está com "ascendente prestígio um pouco por todo o mundo" e "pode assim encarar 2018 com justificada confiança, não obstante o cenário político global". "Portugal é hoje um protagonista de peso mundial, que faz pontes - eu gosto de o dizer, nem sempre bem compreendido - como outros europeus mais a norte faziam há 40 ou há 50 anos. Mas que, além disso, está um pouco por toda a parte, com as suas comunidades", acrescentou.




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