Europa Secretário de Estado pede ajuda a Camilo Lourenço para combater os lobbys

Secretário de Estado pede ajuda a Camilo Lourenço para combater os lobbys

O próximo quadro comunitário de apoio, o Portugal 2020, arrancará uma reorientação dos fundos para o sector privado, nomeadamente para as PME. Esta inversão segundo, o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, trará resistências de vários sectores da sociedade, mas o governante disse estar preparado para resistir. Se vai conseguir vencê-los afirmou não saber, mas pede ajuda ao comentador Camilo Lourenço.
Secretário de Estado pede ajuda a Camilo Lourenço para combater os lobbys
Bruno Simão/Negócios
João Carlos Malta 15 de janeiro de 2014 às 16:55

Durante um almoço debate, que ocorreu esta quarta-feira, 15 de Janeiro, em Lisboa organizado pelo Internacional Club of Portugal, o comentador e cronista do Negócios Camilo Lourenço perguntou ao secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, se estaria pronto para resistir aos lobbys que se irão opor à mudança de estratégia de aplicação do próximo quadro de apoio. O governante respondeu com um pedido de ajuda.

 

“Estou preparado para resisitir. Se serei capaz, depende da ajuda que tiver. Todos compreendem do que estou a falar”, começou por dizer Castro Almeida. “O Camilo Lourenço pode dar uma boa ajuda para vencer as resistências que estamos a ter”, concluiu.

 

Castro Almeida referiu que com uma redução de dotação geral do Portugal 2020 em 10%, “todos ganharam a consciência de que iriam receber menos, mas como vamos fazer uma reorientação e, por isso, há quem vá receber ainda menos”. O secretário de Estado diz contar com as protestos de autarcas, directores-gerais de serviços e chefes de repartições. Ou seja, sobretudo dos gestores deste dinheiro no aparelho do Estado.

Estou preparado para resistir [aos lobbys]. Se serei capaz, depende da ajuda que tiver. Todos compreendem do que estou a falar
 
Castro Almeida

 

“Os fundos europeus podem dar uma ajuda temporária, mas não é admissível que cheguemos a 2015 com os fundos comunitários a serem utilizados para despesas correntes [dos serviços]”, sublinhou.

 

O membro do Governo abordou ainda a questão da formação, da qual diz defender os seus efeitos virtuosos. Mas não apoia todos os modelos de aplicação dos fundos europeus nesta área. “Não tenho de sustentar negócios de formação. Temos de nos focar nos formandos”, sustentou.

 

Ainda sobre o tema dos lobbys, Castro Almeida criticou que os grandes projectos estruturantes em Portugal, sejam decididos “na comunicação social”. “Temos de ser mais rigorosos do que nunca. Temos de ter peritos internacionais a avaliá-los, que não estejam ligados aos promotores dos projectos”, defendeu.

 

No seguimento da sua argumentação, o secretário de Estado que está sobre a tutela de Poiares Maduro, referiu que Portugal não se deve discutir défices de 2% ou de 3%. “Não sou ministro das Finanças, mas precisamos de ter superavit de 0,5%”, disse Castro Almeida, referindo que esta se trata de uma visão “estritamente pessoal”.