Europa Trump considera que proposta da UE para acabar com tarifas nos automóveis “não é suficiente”

Trump considera que proposta da UE para acabar com tarifas nos automóveis “não é suficiente”

A Europa mostrou-se disponível para acabar com as tarifas impostas aos automóveis importados dos EUA, caso Donald Trump faça o mesmo. Mas o presidente norte-americano considera que esta proposta "não é suficientemente boa".
Trump considera que proposta da UE para acabar com tarifas nos automóveis “não é suficiente”
Negócios com Bloomberg 31 de agosto de 2018 às 07:49

A Europa está disposta a acabar as tarifas impostas aos automóveis importados dos Estados Unidos, caso Donald Trump aceite fazer o mesmo aos carros europeus que são vendidos na maior economia do mundo. Contudo, para o presidente norte-americano, esta proposta "não é suficientemente boa", comparando a política comercial do bloco à da China.

 

"Os hábitos de consumo [da União Europeia] passam por comprar os seus carros e não os nossos carros", afirmou Donald Trump numa entrevista à Bloomberg.

O presidente norte-americano comparou ainda o bloco à China, com o qual também está em guerra comercial. "A UE é quase tão má como a China, apenas mais pequena", referiu o presidente norte-americano na entrevista.

 

Estas declarações foram feitas apenas horas depois de a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmström, ter dito no Parlamento Europeu que a UE está "disposta a acabar com as tarifas impostas aos automóveis caso os EUA façam o mesmo".

A comissária acabou por ir além do que foi inicialmente acordado entre Juncker e Donald Trump. A declaração emitida após o encontro da Casa Branca em Julho visava negociações entre as duas partes para eliminar tarifas aos bens industriais, mas excluindo o sector automóvel.

Aos carros norte-americanos a Europa impõe actualmente uma tarifa de 10%, bem superior aos 2,5% impostos aos automóveis europeus vendidos do lado de lá do Atlântico. Contudo, os Estados Unidos têm uma tarifa especial de 25% aos camiões e "pick ups".

Trump ameaça saída da OMC

Na primeira parte da entrevista à Bloomberg, publicada na noite de quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos tinha ameaçado retirar o país da Organização Mundial do Comércio se o organismo não melhorar e continuar a tratar mal a maior economia do mundo.

 

"Se eles não melhorarem, vou sair da Organização Mundial do Comércio", afirmou Donald Trump numa entrevista exclusiva à Bloomberg realizada na Casa Branca.

 

Na mesma entrevista, o presidente dos Estados Unidos garantiu que não se arrepende de ter designado Jerome Powell para o cargo de presidente da Fed, apesar de ter criticado recentemente a actuação da autoridade monetária e a sua política de normalização dos juros. Numa entrevista à Reuters, disse mesmo não estar "fascinado" com as decisões do banco central, que deveria, na sua opinião, ajudar a estimular o crescimento da economia.


"Pus um homem ali que gosto e respeito", sublinhou Trump. "Não estamos a ser acomodados. Não gosto disso", acrescentou. "Dito isto, não tenho a certeza que a moeda deva ser controlada por um político".

À Bloomberg, Donald Trump disse ainda que está a considerar indexar as mais-valias à inflação, uma mudança que significaria uma redução dos impostos para os investidores. "Estou a pensar nisso", afirmou o presidente dos Estados Unidos.

Essa alteração reduziria os impostos a pagar pelos investidores sobre as mais-valias realizadas na venda de activos, como acções, na medida em que ajustaria o preço de compra original à inflação.




pub