União Europeia Colapso de Schengen pode custar até 1,4 biliões de euros à UE nos próximos 10 anos

Colapso de Schengen pode custar até 1,4 biliões de euros à UE nos próximos 10 anos

Na pior das hipóteses, o colapso de Schengen pode custar à Alemanha 235 mil milhões de euros entre 2016 e 2025. China e EUA não ficariam imunes, com perdas acumuladas estimadas em 280 mil milhões de euros no mesmo período.
Colapso de Schengen pode custar até 1,4 biliões de euros à UE nos próximos 10 anos
Bloomberg
Inês F. Alves 22 de fevereiro de 2016 às 14:04

O fim de Schengen, acordo que possibilita a livre circulação de pessoas e bens no bloco europeu, pode custar à União Europeia até 1,4 biliões de euros até 2025, revela um estudo alemão da Bertelsmann Foundation, noticia a Reuters esta segunda-feira, 22 de Fevereiro.

O estudo estima que no pior cenário, em que a reintrodução de controlos fronteiriços implique um aumento de 3% no preço das importações, os custos para a maior economia do bloco, a Alemanha, ascendam aos 235 mil milhões de euros entre 2016 e 2025. Para a França, os custos seriam de 244 mil milhões de euros. O valor ascende aos 1,4 biliões para a União Europeia neste cenário, ou seja, cerca de 10% do Produto Interno Bruto anual dos 28 Estados-membros, escreve a Reuters.


Num cenário em que o preço das importações aumenta apenas 1%, o estudo estima que o colapso de Schengen tenha um custo de 470 mil milhões nos próximos 10 anos para a União Europeia. As perdas mínimas para a Alemanha e para a França seriam de 77 mil milhões de euros e 80,5 mil milhões de euros, respectivamente, até 2025.

"Se barreiras internas da Europa voltarem a ser instauradas, isso vai aumentar a pressão sobre o crescimento, que já é fraco", alerta Aart de Geus, presidente da Bertelsmann Foundation, citado pelo Financial Times. "Em última instância são as pessoas que pagam", acrescentou o responsável.

A União Europeia não seria, porém, a única afectada. O estudo aponta ainda para um perdas de 91 mil milhões de euros e de 95 mil milhões de euros para os EUA e para a China, num cenário de aumento dos preços em 1%. Assumindo um aumento de 3% no preço das importações, as perdas cumulativas dos dois países poderiam ascender aos 280 mil milhões de euros até 2025.

Os valores apresentados pelo estudo alemão da Bertelsmann Foundation superam os estimados pela France Stratégie, uma agência de estudos e planeamento do Governo francês. Esta estima que no longo prazo, os países do espaço Schengen perdam o equivalente a 100 mil milhões de euros ou 0,8% do PIB.

Schengen foi instituído há 30 anos, mas a política de portas abertas tem estado sob crescente pressão face ao crescente fluxo de refugiados a chegar à União Europeia. Para melhor controlar a entrada de pessoas, alguns países do bloco voltaram a instaurar controlos fronteiriços, entre eles a Áustria, a Alemanha e a Suécia.

O Acordo de Schengen foi instituído em 1985 pela Alemanha, Bélgica, França, Holanda e Luxemburgo. Os restantes membros foram aderindo ao acordo nos anos seguintes. A Convenção de Schengen é assinada em 1990 pelos cinco membros iniciais e entra em vigor em 1995. Espanha e Portugal aderiam ao acordo em 1992. A Convenção e o Acordo constituem o acervo de Schengen, que integra o quadro institucional e jurídico da União Europeia desde 1999.

 




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