União Europeia Dijsselbloem sob o fogo: países do euro desperdiçaram dinheiro em "álcool e mulheres"

Dijsselbloem sob o fogo: países do euro desperdiçaram dinheiro em "álcool e mulheres"

Deputado conservador espanhol insurgiu-se contra as palavras do presidente do Eurogrupo, cujo partido pertence à família socialista, considerando que se trata de um ataque aos países do sul e que este perdeu a imparcialidade exigida pelo cargo.
Dijsselbloem sob o fogo: países do euro desperdiçaram dinheiro em "álcool e mulheres"
Reuters
Eva Gaspar 21 de março de 2017 às 17:08

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, foi esta tarde criticado por alguns eurodeputados, que consideraram "vulgar" e "um insulto aos países do Sul" a forma como este se dirigiu a alguns países do euro numa entrevista recente a um jornal alemão. 

 

Em causa está uma passagem de uma entrevista publicada neste fim-de-semana no Frankfurter Allgemeine Zeitung, na qual o ainda ministro holandês das Finanças diz, segundo a tradução feita na imprensa espanhola e referida pelo FT: "Os países do norte têm-se mostrado solidários para com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo à solidariedade particular importância. Mas quem pede (solidariedade) também tem obrigações. Não se pode gastar todo dinheiro em álcool e mulheres e, de seguida, pedir para ser ajudado".

A tradução exacta é: "Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o Pacto [de Estabilidade] da Zona Euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância". Porém, acrescentou, "quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".

As palavras de Dijsselbloem causaram celeuma esta tarde, em Bruxelas, quando este compareceu perante a comissão de assuntos económicos e monetários do Parlamento Europeu.

Conta o Financial Times que Gabriel Mato, deputado conservador espanhol, insurgiu-se duramente contra as palavras do presidente do Eurogrupo, cujo partido pertence à família socialista, considerando que se trata de um ataque aos países do sul e que este perdeu a imparcialidade exigida pelo cargo. Luís de Guindos, ministro espanhol das Finanças, da família política rival conservadora, tem estado à espreita do cargo de presidente do Eurogrupo, tendo perdido para Dijsselbloem a votação ocorrida no Verão de 2015.

Dijsselbloem recusou pedir desculpa, e afirmou que a expressão usada serviu para sublinhar a necessidade de todos cumprirem as regras acordadas, não para insultar. "Assumir que, quando estou a ser exigente em relação às regras e aos regulamentos e a levá-los a sério, é fazer um ataque, é um enorme erro", disse, citado pela FT. "Não é suposto ficarem ofendidos. Não foi uma declaração sobre um país mas, sim, sobre todos os países. A Holanda também falhou com o cumprimento das regras. Não vejo [um conflito] entre as regiões do grupo do euro", acrescentou ainda.



Jeroen Dijsselbloem é ainda ministro holandês das Finanças e membro do PvdA, partido que pertence à família socialista europeia e que foi o maior derrotado nas eleições da passada quarta-feira, tendo passado de 38 para apenas nove deputados. Ontem, em declarações à margem da reunião mensal dos ministros das Finanças do euro, revelou estar disponível para manter-se à frente da presidência do Eurogrupo mesmo depois de deixar de ser titular das Finanças da Holanda. 

 

"Como sabem, o meu mandato vai até Janeiro [de 2018] e a formação de um novo governo de coligação na Holanda pode levar alguns meses. Ainda é muito cedo para dizer se vai haver um hiato entre a chegada do novo ministro e o fim do meu mandato. Se houver um intervalo temporal, caberá ao Eurogrupo decidir como quer proceder", afirmou em Bruxelas, à entrada da reunião mensal dos ministros das Finanças da Zona Euro. "Vamos usar o tempo que temos para olhar em frente e ver que soluções preferem", acrescentou, ao sublinhar que essa não é uma matéria urgente.


Embora o posto tenha sido inicialmente pensado para um ministro das Finanças do euro em exercício não é claro que essa circunstância seja determinante para forçar uma saída prematura, até porque já há algum tempo que se fala da vantagem de nomear de um presidente a tempo inteiro para o Eurogrupo. Por outro lado, há quem defenda que, juridicamente, Dijsselbloem poderá concluir o seu mandato, mesmo não sendo já ministro das Finanças do seu país, já que "o que as regras actuais dizem é que um candidato [à presidência do Eurogrupo] tem que ser ministro das Finanças", o que sucedia quando o holandês concorreu, em meados de 2015, ao segundo mandato, batendo o ministro espanhol Luis de Guindos (que foi apoiado por Maria Luís Albuquerque, então ministra das Finanças). 

Questionados sobre se apoiariam a manutenção do holandês no cargo europeu, a maior parte dos ministro preferiu ontem contornar a pergunta. "Dijsselbloem é o presidente do Eurogrupo e um muito bom presidente", afirmou Michel Sapin, ministro francês. "O assunto não está na agenda" mas "Dijsselbloem é um presidente excelente, competente, reconhecido pelos seus pares e conhece admiravelmente bem o dossier grego", comentou, por seu turno, Pierre Moscovici, comissário dos Assuntos Económicos, também ele francês e socialista. Já António Costa defende há muito uma mudança "rápida" na liderança do Eurogrupo. 
A escolha do presidente do conselho de ministros das Finanças do euro (Eurogrupo) faz-se por maioria simples. 

(notícia actualizada pela última vez para incluir tradução exacta da passagem da entrevista ao FAZ)


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mais votado surpreso 21.03.2017

Esqueceste o Sócrates :escolas de luxo e auto-estradas."Mulheres" só a Câncio,brrrr..

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Anónimo 23.03.2017

ESTA´CERTO, PORTUGAL E´PAIS DE PUTAS E VINHO VERDE. CALA A BOCA COSTA QUE E´MELHOR.

anjospereira 23.03.2017

E por acaso Jeroen Dijsselbloem disse alguma mentira os portugueses tem a mania de chorarem que não tem dinheiro que não podem pagar estão desempregados e tem carro, coitadinhos mas vão ao café tomar pequeno almoço todos os dias eu conheço alguns, e aos fins de semana os restaurantes estão sempre cheios, Suiça.

eusebio manuel vestias pecurto 23.03.2017

Estou solidário com Presidente do Eurogrupo todos os paises da Eurozona devem respeitar as regas Não faz sentido que o meu infeliz Portugal gaste rios de dinheiro em festas banquetes Assumem as suas responsabilidades

Lembram-se ? 22.03.2017

E o Ministro do Costa que comparou a Concertação Social à Feira do Gado ?

Ainda está em funções, não está ?

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