União Europeia Itália prevê encaixar 20 mil milhões com perdão fiscal às famílias

Itália prevê encaixar 20 mil milhões com perdão fiscal às famílias

O governo italiano está a planear aplicar um perdão fiscal às famílias que não conseguem pagar as suas dívidas. Com esta medida, através da qual aplica um desconto aos impostos em falta, Itália prevê encaixar 20 mil milhões de euros.
Itália prevê encaixar 20 mil milhões com perdão fiscal às famílias
Reuters
Rita Atalaia 12 de setembro de 2018 às 09:52
Itália está a ponderar avançar com um perdão fiscal junto das famílias que não conseguem pagar as suas dívidas. Com esta medida, que prevê que sejam aplicados descontos aos impostos em falta, o governo prevê encaixar 20 mil milhões de euros. 

Este perdão fiscal, se for para a frente, vai ajudar o executivo italiano a cumprir as promessas orçamentais feitas aos eleitores e manter o défice do país dentro do limite da União Europeia (ou seja, até aos 3%), afirmou o vice-primeiro-ministro de Itália, Matteo Salvini (na foto), citado pela Bloomberg. Uma medida que deve ser introduzida no próximo orçamento e que vai permitir que as famílias paguem uma percentagem do que devem. 

"Não é um presente. As pessoas estão tão desesperadas" que fariam qualquer coisa para resolver as disputas fiscais com o Estado, referiu Salvini durante uma entrevista ao canal Rai. Esta medida, explicou, faria parte de uma reforma do sistema fiscal que também vai incluir a redução dos escalões de IRS. 

Portugal avançou com uma medida semelhante, em 2016, quando beneficiou de uma ajuda importante de receita adicional conseguida através de um programa de regularização de dívidas ao Estado. 

Salvini referiu ainda, na entrevista, que o orçamento para 2019 vai respeitar o défice de 3%, imposto pela União Europeia, e vai incluir este perdão fiscal em conjunto com outros cortes de impostos. Além disso, quer reduzir a idade da reforma. 

O vice-primeiro-ministro italiano tem tentado acalmar os mercados esta semana, depois de uma série de sinais contraditórios vindos do governo, nomeadamente se as regras europeias de política económica vão ser respeitadas no próximo ano. Enquanto alguns garantiram que o défice vai ficar abaixo dos 3%, outros acabaram por lançar algumas dúvidas se essa regra seria respeitada.

Os juros da dívida italiana têm oscilado de acordo com estas declarações dos membros do governo. Esta quarta-feira, a taxa a dez anos seguem com poucas alterações nos 2,943%, uma tendência que também se verifica nos juros portugueses -- estão a negociar nos 1,894%. Na Alemanha, a taxa no mesmo prazo alivia um ponto base para 0,420%.



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