União Europeia Portugal responde a Itália: migrantes devem chegar em Setembro

Portugal responde a Itália: migrantes devem chegar em Setembro

Matteo Salvini tinha acusado Portugal de falhar a promessa de receber migrantes. Mas o Governo português garante que está a trabalhar para receber os 50 migrantes resgatados em Julho.
Portugal responde a Itália: migrantes devem chegar em Setembro
Margarida Peixoto 21 de agosto de 2018 às 20:00
O Governo português garante que o grupo de 50 migrantes provenientes de Itália deverá chegar em Setembro. Perante a acusação do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, de que Portugal falhou o compromisso de receber os migrantes resgatados por navios italianos, o Executivo português explica que os procedimentos demoram.

"O grupo de 50 migrantes provenientes de Itália (navio Aquarius) deverá chegar em Setembro. Para que tal aconteça, o processo para a vinda destas pessoas envolve procedimentos por parte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em articulação com as autoridades italianas. A deslocação destas pessoas só poderá efectuar-se após o seu registo, além de que existem, nalguns casos, questões de saúde que é preciso acautelar", respondeu fonte oficial do Ministério da Administração Interna, ao Negócios.

Além disso, "a vinda do grupo depende de agendamento de voo em rotas comerciais, o que nem sempre é possível com grupos grandes de pessoas, como é o caso," soma a mesma fonte.

O Governo garante ainda que "Portugal tem vindo a defender uma posição global a nível europeu para a questão do acolhimento de refugiados" mas recorda que o país "tem participado em soluções ad hoc a pedido da Comissão Europeia em articulação com França e Espanha." O Executivo nota também que "30 pessoas do navio Lifeline, provenientes de Malta, já se encontram em Portugal desde 29 de Julho."

O ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini, acusou esta terça-feira Portugal, a par de outros quatro países europeus, de não cumprirem a promessa de acolher os 450 migrantes que desembarcaram em Julho em Pozzallo, na Sicília.

"Só a França fez um esforço, recebendo 47 dos 50 que prometera (três estão hospitalizados à espera de serem transferidos)", afirmou Salvini. "A Alemanha ia receber 50 e acolheu zero", tal como Portugal, Espanha e Malta, enquanto a Irlanda prometeu 20 e também não recebeu nenhum.

"Todos tentam ganhar tempo, impondo a Itália que suporte os gastos das transferências, 500 euros por pessoa", disse.

Os 450 migrantes foram avistados num barco de madeira, em águas internacionais, mas na zona de intervenção maltesa, em Julho.

Os migrantes foram resgatados por dois navios militares, mas Itália não deu de imediato autorização para o desembarque. Roma começou por tentar empurrar a responsabilidade do resgate para Malta, mas as autoridades maltesas argumentaram que os migrantes estavam mais próximos do território italiano e que seguiam com destino a Itália.

Na sequência do compromisso de Portugal, Espanha, França, Malta e Alemanha de receberem, cada um, 50 dos migrantes a bordo, Itália deu autorização para o desembarque. A Irlanda também prometeu receber migrantes.




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