União Europeia Renzi: Se a UE fizer como a Itália vai evitar o desastre

Renzi: Se a UE fizer como a Itália vai evitar o desastre

O primeiro-ministro italiano compara a União Europeia ao Titanic e critica vários líderes europeus por não terem uma estratégia clara para a região.
Renzi: Se a UE fizer como a Itália vai evitar o desastre
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 10 de Fevereiro de 2016 às 10:07

Matteo Renzi acredita que as reformas que implementou em Itália estão a dar frutos e defende que a mesma receita deve ser aplicada no conjunto da União Europeia, pois caso contrário a região irá ser alvo de um desastre, tal como aconteceu com o Titanic.

 

"A União Europeia é como a orquestra do Titanic", afirmou Matteo Renzi em entrevista à Bloomberg, acrescentando que em Itália "fizemos reformas e estamos numa posição em que podemos dizer aos nossos parceiros europeus: amigos, conseguimos mudar esta abordagem errada e burocrática" e evitar o desastre.

 

Apesar de estar a declarar vitória nas reformas implementadas a partir de Roma, o primeiro-ministro italiano tem sido alvo de críticas devido aos resultados alcançados, já que o crescimento económico na região continua fraco e muitas medidas prometidas não foram ainda implementadas.

 

Renzi responde com críticas aos restantes países mais relevantes da região. "Um país está a ser particularmente afectado pela crise dos refugiados, outro tem eleições no próximo ano, outro está focado no referendo interno e outro está sem governo".

"A Itália não resolveu todos os seus problemas mas mostrou nos dois últimos anos que tudo é possível", afirmou o primeiro-ministro italiano. Renzi cita sobretudo as reformas no sistema eleitoral italiano, no Senado do país e nas novas leis do mercado de trabalho, que facilitam as contratações e os despedimentos.

 

Na entrevista à Bloomberg, Renzi sugere que a União Europeia utilize as suas forças financeiras e militares onde possa fazer a diferença e para que no resto do mundo reconheçam o poder da Europa. Em concreto, Renzi recomenda que a União Europeia permita o relaxamento das regras orçamentais da região para que os países possam alocar verbas para apoiar os refugiados. E também que a UE envie tropas para a Líbia e reforce os esforços para uma reconciliação com a Rússia. 

cotacao Fizemos reformas e estamos numa posição em que podemos dizer aos nossos parceiros europeus: amigos, conseguimos mudar esta abordagem errada e burocrática. Matteo Renzi Primeiro-ministro de Itália

Na frente financeira, o primeiro-ministro italiano pretende que a UE aprove um plano para lidar com o crédito mal parado que está a penalizar os bancos europeus. Os bancos italianos têm sido dos mais castigados por este problema.

 

Sobre a política externa a ministra dos Negócios Estrangeiros, Roberta Pinotti, diz à Bloomberg que a Itália está a "trabalhar para ser um dos 'players' chave a nível global" e que a "política externa de Renzi é diferente e certamente mais assertiva".   

 

O primeiro-ministro italiano tem criticado a falta de estratégia de vários dos seus parceiros europeus, sobretudo no que diz respeito às medidas adoptadas durante a crise dos refugiados. Um assunto que afecta particularmente a Itália devido à proximidade com o Norte de Africa e que estará em cima da mesa dos líderes europeus na cimeira que vai decorrer este mês.

 

O presidente da Comissão Europeia também tem sido alvo das críticas de Renzi, sendo que o primeiro-ministro italiano defende a realização de primárias para escolher o sucessor de Juncker.




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comentários mais recentes
Anónimo 10.02.2016

Nao sei se o renzi e o resto dos perifericos sabem,mas o draghi nao vai ser interno no posto que ocupa.Quem pensa que ele esta a dar o remedio para a cura,irao ver o tamanho e a gravidade da doenca mais a frente.Agora e so maquilhagem.

5640533 10.02.2016

Os credores da Europa têm de prescindir dos juros da dívida soberana. Só assim haverá crescimento.

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