Zona Euro Alemanha põe o pé no travão: orçamento para a Zona Euro não é prioridade

Alemanha põe o pé no travão: orçamento para a Zona Euro não é prioridade

Em Junho, Alemanha e França tinham aproximado posições. Mas agora Berlim diz que há outras prioridades antes de criar uma capacidade orçamental para a Zona Euro.
Alemanha põe o pé no travão: orçamento para a Zona Euro não é prioridade
Reuters
Negócios 30 de agosto de 2018 às 10:53
Afinal, o Governo alemão parece não estar particularmente empenhado na criação de uma capacidade orçamental para a Zona Euro. Apesar de em Junho a chanceler Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron terem aproximado posições, agora Jörg Kukies, o vice-ministro das Finanças alemão, diz ao Financial Times que essa não é a prioridade. O jornal avança a notícia esta quinta-feira, 30 de Agosto.

O responsável do Executivo de Berlim argumenta que não faz sentido criar um orçamento exclusivo para os países da moeda única, em vez de concentrar esforços no orçamento plurianual da União Europeia, para o período de 2020-2027.

"Porque é que havemos de enfraquecer a União Europeia, estabelecendo uma estrutura paralela?" diz Jörg Kukies ao Financial Times. E argumenta que "o assunto mais urgente" é perceber "como é que o orçamento da União Europeia pode contribuir para a estabilização, competitividade e convergência". Esta "é uma questão mais relevante do que construir um orçamento separado para a Zona Euro", frisa ainda.

A criação de uma capacidade orçamental para a Zona Euro é uma das medidas da reforma da união monetária que Emmanuel Macron mais tem defendido. Em Junho, quando Merkel e Macron fecharam uma proposta para levar ao Eurogrupo e dar um impulso de reforma aos trabalhos que estiveram sob a liderança de Mário Centeno, criou-se alguma expectativa de que esta medida pudesse chegar a bom porto, apesar das divergências que se verificavam entre os vários ministros das Finanças do euro.

Mas agora a Alemanha parece recuar, o que torna ainda mais complicado avançar por este caminho. Quando, na qualidade de presidente do Eurogrupo, Mário Centeno comunicou os resultados dos trabalhos do Eurogrupo para reformar a união monetária e económica ao Conselho Europeu, reconheceu que permaneciam "diferentes pontos de vista sobre a necessidade, e possíveis características, de um orçamento para a Zona Euro para a competitividade, convergência e estabilização da união económica e monetária". Agora essas diferenças parecem cada vez maiores.
 



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