Zona Euro FMI: Grécia pode sair do euro se não fizer reformas nem tiver perdão de dívida

FMI: Grécia pode sair do euro se não fizer reformas nem tiver perdão de dívida

O Fundo Monetário Internacional reiterou o aviso de que "os medos sobre a saída da Grécia do euro vão ressurgir" se não for aplicado um "sólido e credível" plano de reformas, complementado com o alívio da dívida.
FMI: Grécia pode sair do euro se não fizer reformas nem tiver perdão de dívida
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios com Lusa 12 de Fevereiro de 2016 às 02:08

"Um plano construído sobre pressupostos excessivamente optimistas vai provocar rapidamente o ressurgimento dos medos da saída da Grécia do euro", afirmou Poul Thomsen (na foto), o chefe do Departamento da Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI), num blogue da instituição financeira.

 

Thomsen voltou a insistir na necessidade de juntar reformas e alívio da dívida, para que o plano grego seja "credível" e restaure "a confiança".

 

Em concreto, mencionou o sistema de pensões grego, que qualificou como sendo de uma "generosidade inexequível", especificando que Atenas dedica o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto ao seu financiamento, o que compara com uma média europeia de 2%.

 

A isto, acrescentou o funcionário do fundo, há que acrescentar "o sucesso muito limitado da Grécia no combate à infame evasão fiscal", o que torna inevitável a reforma do sistema de pensões.

 

"Por fim, devem sair as contas: a combinação de reformas mais um alívio de dívida deve dar-nos e à comunidade internacional garantias razoáveis de que no final do próximo programa, depois de uma década de dependência da assistência europeia e do FMI, a Grécia seja finalmente capaz de se manter por si só", afirmou Thomsen.

A directora-geral do FMI, Christine Lagarde, tinha já aludido a esta questão na passada quinta-feira, 4 de Fevereiro, quando questionada sobre a situação da Grécia e a reforma do seu sistema de pensões, dizendo que além das reformas também o alívio da dívida é crucial. Voltou, assim, a insistir na ideia de os restantes Estados-membros da UE ajudarem a aliviar o serviço da dívida pública helénica, depois de no Verão passado ter chamado a atenção para a sua insustentabilidade.

 

"Sempre disse que o programa [de ajustamento] grego tem de caminhar sobre duas pernas: uma é a perna das reformas substanciais e a outra é a do alívio da dívida", afirmou a directora-geral do FMI em Washington (com início no minuto 22:22), repetindo assim as convicções referenciadas em Julho de 2015.

 

Lagarde frisou que "se o sistema de pensões não conseguir ser reformado tão significativa e substancialmente quanto é necessário, poderemos precisar de mais alívio da dívida. Da mesma forma, se não houver qualquer alívio da dívida, isso tornará o sistema de pensões insustentável".

 

"Para o financiamento do sistema de pensões [grego], o Orçamento tem de recorrer a 10% do PIB. Isso não é sustentável", considerou a responsável do Fundo, lembrando que "a média na Europa é de 2,5%".

O Governo helénico e as autoridades europeias acordaram em 2015 um novo programa de resgate financeiro, o terceiro desde 2010, no montante de 86 mil milhões de euros.

Até agora, o FMI não confirmou a sua participação no programa, e já disse que só participa se se aplicarem reformas credíveis e houver um alívio da dívida por parte dos europeus. Porém, os europeus têm-se manifestado reticentes a este alívio da dívida, o qual contudo é considerado por Atenas como fundamental para continuar com as reformas. 




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mais votado Anónimo 12.02.2016

A seguir vamos nos, com fdps a governar-nos não temos hipotese.

comentários mais recentes
FMI 12.02.2016

Devia de ser o FMI a perdoar a sua dívida, em vez de pedir aos paises da UE para o fazer. Isto de cantar de galo é bonito.

Anónimo 12.02.2016

A seguir vamos nos, com fdps a governar-nos não temos hipotese.

Anónimo 12.02.2016

Oh! Poul, então isso quer dizer que aquela história da " desvalorização interna" em que o FMI se meteu para ajudar a atamancar o euro foi uma barraca que não conseguiu equilibrar a Grécia?

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