Zona Euro FMI: Grécia precisa de pelo menos 36 mil milhões da Europa

FMI: Grécia precisa de pelo menos 36 mil milhões da Europa

O Fundo Monetário Internacional efectuou uma análise à sustentabilidade da dívida pública da Grécia, tendo concluído que será necessário um "haircut" caso o país não implemente reformas e que a Europa tem de emprestar pelo menos 36 mil milhões de euros ao país.

Nuno Carregueiro 02 de julho de 2015 às 16:08

O Fundo Monetário Internacional já fez as contas ao valor do terceiro resgate da Grécia. Numa análise à sustentabilidade da dívida do país, a instituição liderada por Christine Lagarde conclui que as necessidades de financiamento da Grécia ascendem a 50 mil milhões de euros até ao final de 2018, pelo que o país precisa de um empréstimo europeu "de pelo menos 36 mil milhões de euros".

No mesmo documento, o FMI conclui que se a Grécia não implementar as reformas propostas pelos credores, a dívida pública do país entra numa trajectória insustentável e necessitará de um "haircut".  

 

Nesta "análise preliminar" à sustentabilidade da dívida da Grécia, o FMI faz questão de frisar que o estudo foi elaborado pelos seus técnicos e não foi ainda aprovado pelo seu conselho de administração. Acrescenta que desde que começou a ser preparado, o Governo grego impôs o controlo de capitais no país, fechou o sistema bancário e não cumpriu o pagamento ao FMI, tudo desenvolvimentos que terão provavelmente um "impacto significativo adverso em termos financeiros e económicos". Além disso, o segundo programa de assistência já terminou, estando interrompidas as negociações com os credores.

 

Os técnicos do FMI começam por salientar que em Maio de 2014 tinham concluído que a dívida pública da Grécia estava a entrar numa trajectória de sustentabilidade, sendo que com a descida dos juros da dívida soberana no Verão do ano passado "já não seria necessário um novo alívio da dívida", isto caso "o programa de ajustamento fosse implementado como acordado". As projecções apontavam para que a dívida pública descesse para 116,5% em 2020.

 

Contudo, "a alteração de políticas seguidas desde então resultaram em novas necessidades de financiamento", o que somado ao "já elevado" endividamento existente, torna a "dinâmica da dívida insustentável".

 

Para inverter esta situação, o FMI aponta várias propostas. Para assegurar que a Grécia fica em condições de pagar a sua dívida, o país tem de voltar ao caminho de implementação de políticas. Mas não será suficiente. No mínimo, diz o FMI, as maturidades dos empréstimos europeus têm de voltar a ser alargadas "de forma significativa", e os novos empréstimos que venham a ser concedidos para cobrir as necessidades de financiamento futuras terão de ter as mesmas condições mais favoráveis.

 

Mas estas duas acções podem não ser suficientes, pois se a Grécia não aceitar a implementação do pacote de reformas proposto pelos credores, será necessário um perdão a parte da dívida do país. "Se o pacote de reformas que está em consideração for enfraquecido – em particular, através de reduções das metas dos excedentes primários ou reformas estruturais mais fracas – um ‘haircut’ na dívida será necessário".

Se o pacote de reformas que está em consideração for enfraquecido (...) será necessário um ‘haircut’ na dívida
FMI

 

Para justificar as maiores necessidades de financiamento (de 50 mil milhões de euros até ao final de 2018), o FMI assinala que as metas orçamentais não foram atingidas (o excedente primário ficou 1,5 pontos percentuais abaixo do estimado) e que as receitas com privatizações ficaram muito aquém do previsto. O segundo programa de assistência previa um encaixe de 23 mil milhões de euros, mas as receitas com a venda de companhias estatais ficaram-se pelos 3 mil milhões de euros nos últimos cinco anos. Além disso, o crescimento económico também ficou abaixo do previsto.

 

Terceiro resgate pode não ser suficiente

 

Apesar de quantificar em 36 mil milhões de euros o valor do terceiro resgate para a Grécia, o FMI salienta que mesmo com este novo financiamento até final de 2018, "a dívida pública permanecerá em níveis muito elevados ao longo de décadas e altamente vulnerável a choques".

 

Assumindo que as autoridades europeias aprovam este terceiro resgate à Grécia – o governo helénico já o pediu mas as negociações ainda nem começaram devido ao referendo agendado para 5 de Julho – o FMI estima que a dívida pública da Grécia ficará em 150% do PIB em 2020, baixando para 140% do PIB em 2022.

 

Na última análise à sustentabilidade da dívida pública da Grécia, efectuada em Maio do ano passado, o FMI projectava que a dívida pública do país iria descer dos 175% do PIB no final de 2013 para 128% em 2020 e 117% em 2022.


(Notícia actualizada às 16h55)




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mais votado Anónimo 02.07.2015

Aquilo é um saco sem fundo, os gregos não estao disponiveis para ajustar nada. A sabedoria popular diz que mais vale uma dor mais forte que um cento mais fraco. Se os gregos votarem não, acho que não estão disponiveis para respeitar as regras da comunidade a que pertencem pelo que devem sair dessa mesma comunidade.

comentários mais recentes
Ora, ora... 03.07.2015

A Grécia é uma espécie de Zimbawé na Europa. As instituições do Estado grego são uma autêntica fraude. Basta o exemplo que o Syriza quis implementar ; pôr estudantes, turistas e donas de casa a fiscalizarem a fuga aos impostos.

Anónimo 03.07.2015

Pois então se fôr assim ,preparem se Tugas para contribuirem com os vossos impostos e pensões para o regabofe dos Gregos.Quero lá saber do que se passou a 2mil anos? Este governo quer defender os Portugas e o Costa não se importa de os sacrificar ,só para ficar bem na foto.

00SEVEN 02.07.2015

Não!
Esse número já está ultrapassado!
São 60 biliões!
Para os mais complicados são 60 mil milhões!
Ver o "Financial Times".

Tem cautela, Varoufakis ! 02.07.2015

Tem cautela, Varoufakis !
A víbora pode picar-te.

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