Zona Euro Bruxelas critica orçamentos dos quatro maiores países do euro (act.)

Bruxelas critica orçamentos dos quatro maiores países do euro (act.)

Comissão Europeia diz que Alemanha não fez "progressos" nas reformas estruturais, que Espanha e Itália arriscam não cumprir os objectivos, e que França não tem "margem de manobra" no orçamento para o próximo ano.
Bruxelas critica orçamentos dos quatro maiores países do euro (act.)
Bloomberg

A Comissão Europeia emitiu pequenas análises sobre as propostas de Orçamento dos estados-membro da União Europeia para o próximo ano, confrontando as quatro maiores economias da Zona Euro (Alemanha, França, Itália e Espanha) com os orçamentos do próximo ano, numa altura em que as exigências de austeridade estão a limitar a saída da mais longa recessão da história da região. E não poupa críticas.

 

Fora da análise ficaram os países que estão sob intervenção externa (Chipre, Grécia, Irlanda e Portugal).

 

A Alemanha, a maior economia europeia, "não fez progressos" nas reformas estruturais. Espanha arrisca-se a falhar as metas do défice orçamental já em 2014 e Itália está em perigo de quebrar as regras de redução da dívida pública. Já França "não tem margem de manobra" no orçamento para 2014.  

 

"Chegámos a um ponto de viragem na estrada para a recuperação económica e, hoje, atingimos um marco importante na implementação de uma governação económica reforçada na Europa", afirmou Olli Rehn, Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, citado pela Bloomberg. "As opiniões da Comissão Europeia sobre os orçamentos nacionais vão no sentido de apoiar os Estados-membros da Zona Euro a alcançarem um crescimento mais forte e a sustentabilidade orçamental."

 

As avaliações feitas pela Comissão Europeia revelam a determinação dos responsáveis em garantir que os Governos não se tornam complacentes e não se acomodam às previsões de que a economia da Zona Euro vai crescer no próximo ano, pela primeira vez desde 2011. No segundo trimestre deste ano a economia do bloco cresceu 0,3%, um crescimento que desacelerou para 0,1% nos três meses até Setembro, com a contracção do produto interno bruto (PIB) de França e o abrandamento do crescimento na Alemanha.

 

Alemanha não tem feito "nenhum progresso"

 

A Alemanha, o mais feroz defensor da política de austeridade como resposta à crise da dívida soberana, foi alvo de críticas, dois dias depois de a Comissão Europeia ter iniciado uma investigação aprofundada aos excedentes alemães.

 

"A Alemanha não fez qualquer progresso na abordagem da parte estrutural da recomendação orçamental" feita no início do mês pela União Europeia, sustenta a Comissão.

 

Estes avisos representam o primeiro uso dos novos poderes que os governos deram à Comissão Europeia para rever os planos orçamentais dos países antes de seguirem para os parlamentos nacionais para aprovação. Os governos não são obrigados a seguir os conselhos dados pela Comissão, mas as recomendações vão no sentido de manter os Executivos comprometidos com as políticas de redução da dívida e do défice.

 

Espanha e Itália arriscam não cumprir as metas

 

O governo espanhol, liderado por Mariano Rajoy, tem como objectivo atingir um défice de 5,8% do PIB no próximo ano. A Comissão Europeia prevê que o défice do país vizinho atinja os 6,5% do PIB este ano, depois de ter fechado o ano de 2012 nos 10,6% do PIB, o mais elevado da União Europeia.

 

A Comissão Europeia recorda que Espanha tomou medidas eficazes para reduzir o défice em 2013 mas alerta que o orçamento do próximo ano corre o risco de não atingir a meta definida para o défice orçamental e a "melhoria recomendada do saldo estrutural".

 

Bruxelas pede, assim, a Espanha que, nos próximos três anos, aplique mais medidas de ajustamento, num valor total de 35 mil milhões de euros. 

 

Também o orçamento de Itália, que tem a dívida mais elevada da Zona Euro a seguir à Grécia, corre o risco de não cumprir as regras da União Europeia. “Em particular, a redução da dívida em 2014 não é respeitada”, defende a Comissão.

 

França não tem qualquer "margem de manobra"

 

A Comissão Europeia diz que o orçamento de França é compatível com as regras da União Europeia relativas à dívida e ao défice embora "sem qualquer margem de manobra". O orçamento de França prevê um corte de 18 mil milhões de euros no défice do próximo ano, com 15 mil milhões resultantes da diminuição da despesa pública, e 3 mil milhões resultantes de aumento de impostos.

 

Os quatro países da Zona Euro que estão sob resgates financeiros integrais – Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre – não tiveram os seus orçamentos escrutinados segundo as novas regras. 

 

Orçamento da Finlândia com riscos

 

A Finlândia poderá não conseguir cumprir as metas traçadas no Orçamento, “em particular, a Comissão identifica um desvio significativo” no que respeita ao ajustamento do défice estrutural de 0,5% do PIB. Contudo, o país “fez alguns progressos” em relação a recomendações feitas por Bruxelas.

 

Polónia falha em adoptar medidas

 

Bruxelas traça um cenário duro para a Polónia, que “não tomou medidas efectivas em 2013”, depois de a Comissão ter feito as suas recomendações; prepara-se para “falhar o objectivo de défice em 2013” e “não adoptou medidas de consolidação” necessárias.

 

A Comissão adianta que as metas de 2014 deverão ser atingidas, mas apenas devido ao efeito extraordinário da transferência de activos de fundos de pensões.

 

(Notícia actualizada às 13h23 com os dados referentes à Finlândia e à Polónia)




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mais votado pertinaz Há 4 dias

APARENTEMENTE PORTUGAL ESTÁ FORA DESTE FILME, O QUE REVELA O ESFORÇO QUE TODOS (TODOS MESMO) TEMOS ANDADO A FAZER NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS...SÓ A CANALHA QUE MAMA NA TETA DO ESTADO É QUE INSISTE NA TEORIA DO ESTUPOR DO PINÓQUIO...!!!

comentários mais recentes
M. Almeida Há 4 dias

Isto só demonstra que estes países se estão "borrifando" para as exigências de Bruxelas. Portugal como parceiro pobre tem de se submeter a tudo que lhe é exigido sem qualquer contemplação e dignidade humana.

Charlie Há 4 dias

Se Estaline hoje viesse ao mundo e lê-se este comunicado diria que finalmente se tinha chegado a uma grande república soviética europeia. Foi nisto que esta UE se tornou uma burocracia gigantesca, uma teia de interesses sem limites e uma direção política e económica centralizada ao belo estilo soviético. Tal como na URSS querem impôr um pensamento único político e económico. Se os soviéticos queriam caminhar no sentido do socialismo e de uma verdadeira sociedade igualitária, estes senhores falam que o caminho para o paraíso passa pelas reformas estruturais (sendo lá o que isso seja), procurando chegar não ao socialismo mas mas a um mundo competitivo e de equilibrio orçamental. Eis ao que chegamos........

António Pedro Silveira Há 4 dias

Critica???? Ai que giro!!!! Mas deixa-os continuar como estão!!!! Tudo uma palhaçada!!!!!!

Anónimo Há 4 dias

Desvalorizar o euro e tudo voltará a ser mais facil de resolver em todos os sectores financeiros.

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